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sábado, 23 de março de 2019

GETTING MARRIED TODAY – Um Video Musical

Stephen Sondheim, o compositor e letrista que fez ontem 89 anos, escreveu esta canção em 1970 para o musical COMPANY, que lhe valeu o Tony Award para melhor partitura.

No musical, a canção é cantada por uma noiva desesperada no dia do seu casamento, a quem lhe apetece desistir do mesmo. Neste vídeo que aqui partilho, Darren Criss (das séries GLEE e THE ASSASSINATION OF GIANNI VERSACE) é um noivo em pânico, cujo futuro esposo não podia estar mais feliz por irem casar.


terça-feira, 19 de março de 2019

FANTASMAS RELIGIOSOS

Não me recordo de nenhum momento na minha vida em que eu não soubesse que era homossexual. É verdade que tive, sei lá bem porque razão, uma namorada quando andava na escola primária, mas a coisa durou poucos dias. Uns anos mais tarde, quando fui pela primeira vez ao Brick (agora conhecido como Construction) e não me identifiquei com nenhum dos presentes, questionei-me durante umas horas sobre a minha sexualidade, mas não havia qualquer dúvida. Era por membros do meu sexo que sempre me senti atraído.

Olhando para trás, percebo perfeitamente que poderia ser um gay completamente desajustado e cheio de problemas de consciência. Mas por razões que desconheço, consegui dar a volta por cima e ser quem sou hoje.

Quando tinha cerca de 4 anos de idade, os meus pais tornaram-se Testemunhas de Jeová, e permaneceram nessa religião durante mais de 10 anos, sendo eu obrigado a segui-los. Lembro-me de no início essa religião ser proibida (situação que só se alterou após a revolução do 25 de Abril) e as reuniões serem feitas “às escondidas” em casa dos diversos membros. Mas o que mais me recordo desses primeiros anos, era o facto de não poder festejar o Natal, nem fazer festas de aniversário. 

Durante todos os anos em que fiz parte dessa religião, foi-me sempre incutido o sentimento do pecado e o receio do castigo de Deus se eu pecasse. Para uma criança que começa a despertar para o sexo, a ideia de pecado pode ser uma coisa aterradora, mas também muito excitante. Claro que temia sempre o possível castigo Divino, mas isso não impedia de, ainda na escola primária, entrar nos deliciosos jogos do “mostra-me a tua que eu mostro-te a minha”. Ou melhor ainda, “se mexeres na minha eu mexo na tua”.

Acho que posso afirmar que era um rebelde bem comportado, que tinha descoberto que sexo com outros meninos, apesar de ser um pecado mortal, era algo demasiado excitante para desperdiçar. O que eu não sabia então, é que a minha paixão pelo cinema no geral e pelo musical em particular, bem como o fascínio que tinha por Barbra Streisand e Julie Andrews, eram fortes indícios da minha emergente homossexualidade.

Voltando à religião, conforme ia crescendo tinha cada vez menos paciência para as aborrecidas reuniões e senti-me cada vez mais revoltado pelo facto de quase tudo ser pecado. Foi então que aconteceu algo que viria a ajudar-me a mudar os meus sentimentos sobre tudo isto. Como não tinha paciência para os longos discursos com que éramos prendados durante as reuniões, entretinha-me a ler a Bíblia e, aos poucos e poucos, fui-me apercebendo que, como qualquer outro livro, a mesma estava aberta a várias interpretações. Assim comecei a pôr em causa, não a existência de Deus, mas a  religião em si, ao mesmo tempo que continuava com as minhas brincadeiras sexuais com outros rapazes. Uma coisa eu sabia, não era o único gay na zona.

Acredito que, como eu, houvessem outros homossexuais entre os membros da religião, mas nunca abordei nenhum deles, nem tive relações com eles. Para mim, sexo e religião não se misturavam. O melhor era manter essa minha faceta afastada dos outros membros.

Por razões que nada tiveram a ver comigo, os meus pais afastaram-se da religião quando eu tinha 14 anos e no dia do meu 15º aniversário festejei a minha primeira festa de anos. Sentia-me liberto de toda aquela opressão religiosa, mas no fundo do meu consciente uma vozinha continuava a dizer-me que ser homossexual era um pecado mortal, condenado pela Bíblia.

A fim de enfrentar os meus fantasmas, alimentados por anos de religião, decidi voltar às Testemunhas de Jeová uns anos mais tarde. Desta vez estava preparado; até tinha encontrado uma relação gay na Bíblia, entre o rei David e seu amigo Jonatã: “E sucedeu que, assim que acabou de falar a Saul, a própria alma de Jonatã se ligou à alma de David, e Jonatã começou a amá-lo como a sua própria alma.” (1º Samuel 18.1) – “Estou aflito por ti, meu irmão Jonatã, tu me eras muito agradável. Teu amor a mim era mais maravilhoso do que o amor das mulheres.” (2º Samuel 1.26). 
Não queria um estudo bíblico de como o mundo tinha começado e como ia ser bom sobreviver ao Armagedão (o fim da nossa civilização às mãos de Deus) e viver para sempre num novo paraíso. Tinha diversas perguntas e necessitava de resposta às mesmas. Exigia que essas respostas me fossem dadas por textos na Bíblia e não por livros escritos por homens que a tinham interpretado ao seu modo, tendo em conta os seus interesses. Tal como calculava, muitas das minhas perguntas não tinham resposta e abandonei uma vez mais a religião, mas já sem fantasmas.

Uma coisa aprendi lá. A fim de sermos aceites por Deus e pelos outros, temos primeiro que nos aceitarmos a nós próprios. Só podemos estar bem com Deus se estivermos bem connosco. Só assim poderemos encontrar a felicidade e viver uma vida sem receio.

Curiosamente, nunca deixei de acreditar em Deus como uma entidade sobrenatural e, ainda hoje, começo sempre o dia com uma oração. Velhos hábitos são difíceis de perder e confesso que ainda encontro conforto nestas minhas orações diárias.

por Jorge Tomé Santos


domingo, 17 de março de 2019

FITAS & VIDA QUEER - Renovação do Blog

Como um homem gay que sou, achei que era altura de fazer algumas alterações a este meu blog. Assim, em vez de falar apenas de Fitas Queer, decidi alargá-lo a outras temáticas LGBT.

Tenho-me apercebido que a grande maioria de blogs e páginas de Facebook sobre a vida Queer, acabam por ser transformar em apenas “locais” de engate ou de troca de fotos de gajos bons (não tenho contra e até gosto de ver, quem não gosta?). São poucos os sites (Dezanove e Portugalgay) vêm-me à mente, que são mais do que isso.

Não quero parecer pretensioso nem chato, mas o meu sonho é que este meu blog possa ser um local de partilha de experiências, histórias e mesmo de ajuda. Por isso partilhem as vossas histórias, contem os vossos problemas, coloquem as vossas questões (espero que eu ou alguém mais sábio vos possa ajudar). Para o fazerem basta enviar-me um email – jorgeplace.

Ajudem-me a fazer da nossa comunidade Queer algo mais que um mundo de engates, tricas e mexericos, somos todos muito mais que isso. Obrigado e bem-vindos; conto convosco!

WE KISS IN A SHADOW - Um Video Musical

A dar início a esta nova fase do meu blog, aqui vos deixo esta canção escrita em 1951 pela dupla Richard Rodgers (música) e Oscar Hammerstein II (letra) para o famoso musical THE KING AND I; é uma das canções mais românticas que eles escreveram (são também os responsáveis pelo mega-êxito THE SOUND OF MUSIC).

Neste vídeo que aqui partilho, Jelani Alladin e Matt Doyle dão um toque pop-gay a este clássico intemporal e o resulto é muito bonito. Espero que gostem.

sábado, 24 de novembro de 2018

BOHEMIAN RHAPSODY de Bryan Singer

A História: Desde o início da sua carreira até à sua participação no Live Aid em 1985, a história de Freddie Mercury e da banda Queen

O Filme: Não me matem por favor, mas eu nunca fui fã dos Queen, nem desse tipo de música (estive sempre metido no meu mundo da Broadway e dos musicais clássicos de Hollywood). Lembro-me de algumas músicas e de ouvir falar deles, mas nunca lhes dei muita importância, nem mesmo quando foi revelado ao mundo que Freddie Mercury era gay e tinha SIDA. 
Agora, em 2018, chega-nos esta biografia romantizada e dramatizada por Hollywood e dei por mim a chorar de emoção nas cenas do Live Aid! Porra, os gajos eram mesmo bons! E, apesar de não ser o meu tipo de música, as suas canções tinham melodia e algo de contagiante! O realizador Byran Singer, que assina aqui o melhor filme da sua carreira, filma os concertos com o coração, de forma apaixonante, não deixando ninguém indiferente. Essas cenas são verdadeiramente épicas! Causaram-me arrepios na espinha!
Mas nem só disso vive o filme e, felizmente, Singer consegue encontrar o equilíbrio certo entre drama e espectáculo, dando-nos um dos melhores filmes deste ano. Não conheço a vida real de Mercury e dos Queen, mas também não me interessa; isto não é um documentário, mas sim uma ficção baseada em factos reais, o que torna o filme numa viagem emocionante de onde saímos de coração cheio e olhos vermelhos de tanto chorarmos.
Havia receio que Singer evitasse o lado mais gay da vida de Mercury, mas isso não acontece e o talentoso Rami Malek convence como o “maior que a vida” Mercury, tanto como apaixonado pela sua esposa, como o animal sexual que caí numa vida de excessos e o homem que depois tenta encontrar-se a si próprio e aprende a gostar de si próprio. Rami é excelente, mas todo o elenco é muito bom, com destaque para Lucy Boyn como a esposa de Mercury e Allen Leech (o jeitoso motorista da série DOWNTON ABBEY) como o falso e intriguista Paul.
Este é um daqueles filmes imperdíveis! A remake do A STAR IS BORN está mais bem cotada que este filme, mas, mesmo com as todas as suas qualidades, não se compara à excelência desta emocionante BOHEMIAN RHAPSODY!

Classificação: 9 (de 1 a 10)





quarta-feira, 19 de setembro de 2018

SAUVAGE de Camille Vidal-Naquet

A História: Leo é um jovem prostituo que vende o seu corpo nas ruas, onde também dorme na maioria das noites. Procura o amor de um colega, mas este rejeita-o e diz-lhe que o melhor que lhes pode acontecer é serem “adoptados” por um velho rico. 

O Filme: Não há como os franceses para nos darem filmes gays explícitos, mas sem caírem na pornografia (se bem que um pouco de porno também não faz mal a ninguém). Este drama dá-nos um jovem perdido, entre o sexo e as drogas, sem grande futuro, mas que não parece preocupado com isso. Deseja ser amado e amar, mesmo que o escolhido do seu coração o trate mal. Félix Maritaud é muito convincente no papel.
Ao início achei que o filme não tinha grande assunto e preparei-me para levar uma seca, mas, entretanto, uma história começa a delinear-se e esta prendeu-me a atenção. O realizador Camille Vidal-Naquet dá-nos uma visão realista e suja da vida de prostituto, sem vergonha do sexo, este nem sequer é excitante, é sexo pago, sem moralismos e é isso que torna o filme interessante. Também aprendi algo; não me estou a fazer de inocente, mas desconhecia tal coisa, refiro-me ao líquido que se pode injectar no pénis para, durante o sexo oral, pôr alguém a dormir.
Confesso que este filme me levantou duas questões. A primeira, será que a ternura e o carinho estão sobrevalorizados hoje em dia? Será que perante a hipótese de serem acarinhados, as pessoas preferem ser maltratadas? Num mundo onde as relações são cada vez mais virtuais, talvez seja normal que o carinho passe a segundo plano.
Quanto à segunda questão, tem a ver com a liberdade, com o “selvagem” do título. Leo gosta da vida que tem, sem barreiras ou prisões de qualquer género. Julgo que é isso que o leva a tomar a decisão final, que é previsível.
Em conclusão, acho que a pergunta que devemos fazer a nós próprios é se preferimos ser amados ou ser livres.

Classificação: 6 (de 1 a 10)



quinta-feira, 13 de setembro de 2018

QUEER LISBOA 2018: OS CARTAZES

A 22ª edição do QUEER LISBOA – FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA QUEER, irá decorrer de 14 a 22 de Setembro no Cinema São Jorge em Lisboa. Na sessão de abertura será exibido o filme DIAMANTINO de Gabriel Abfrantes e Daniel Schmidt  e BIXA TRAVESTY de Claudia Priscilla e Kiko Goifman encerrará o Festival.

Vai ser uma semana cheia de filmes e aqui vos deixo os cartazes de todas as longas-metragens que vão ser exibidas no Festival. Para mais informações visitem http://queerlisboa.pt


PS.: Para verem as imagens com melhor resolução é só clicarem nas mesmas.