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quarta-feira, 7 de junho de 2017

CORAÇÕES DE PEDRA (Hjartasteinn aka Heartstone) de Guðmundur Arnar Guðmundsson

A História: Numa localidade remota, algures na Islândia, Thor e Christian são dois jovens adolescentes inseparáveis, o que leva a rumores de uma possível homossexualidade. Durante o Verão, Thor fica enamorado de uma jovem e Christian descobre que tem sentimentos, para além da amizade, pelo seu amigo.

Os Actores: Nos papéis dos dois adolescentes, Baldur Einarsson e Blær Hinriksson são muito naturais e os sentimentos/amizade que nutrem um pelo outro parecem reais. Ambos são muito expressivos e os olhares cúmplices que trocam entre sim são verdadeiros. Eles estão bem acompanhados por um grupo de quatro jovens talentosas actrizes Diljá ValsdóttirKatla NjálsdóttirRán Ragnarsdóttir e Jónína Þórdís Karlsdóttir, verdadeiramente irritante como a irmã rebelde de Thor.

O Filme: Para a sua estreia nas longas-metragens, o realizador/argumentista Guðmundur Arnar Guðmundsson dá-nos um drama de adolescentes sobre a amizade e a descoberta do sexo, no meio de uma localidade onde os habitantes parecem ser tão inóspitos e frios como a fabulosa paisagem que os rodeia. O filme pertence por direito aos adolescentes, que parecem crescer e viver sem a supervisão dos adultos; o realizador capta muito bem a vida desinteressante destes jovens, bem como a sua crueldade gratuita de uns para os outros. Curiosamente, ou não, as raparigas são sexualmente mais resolvidas que os rapazes e parecem ter personalidades mais fortes. Mas o coração do realizador está com os seus dois jovens e consegue fazer-nos sentir a sua inocência, rebeldia e angústia, num crescendo calmo que termina em drama. O ritmo é lento, o que raramente me agrada, mas aqui parece fazer sentido com a paisagem e com a vida aborrecida dos personagens. Quanto à homossexualidade, esta é mostrada de forma delicada, traduzindo-se em olhares de desejo e pequenos toques que vão revelando a luta interna dos personagens. Não é um filme para todos os gostos, mas é daqueles que quanto mais pensamos nele, mais interessante se vai tornando.

Classificação: 6 (de 1 a 10)




A CRIADA (Ah-ga-ssi / The Handmaiden) de Chanwook Park

A História: Sook-Hee é contratada para ser a criada particular de Lady Hideko, uma rica herdeira que vive com um tio que pretende casar com ela. Mas a verdade é que Sook-Hee faz parte do plano de um 'falso conde’, Fujiwara, que quer casar com Hideko, interná-la num hospício e partilhar a sua herança com Sook-Hee.

Os Actores: Nos papéis de Sook-Hee e Lady Hideko, Tae-ri Kim e Min-hee Kim partilham uma química, cumplicidade e sensualidade que transborda do ecrã e nos seduz de forma simples e eficaz. São ambas muito bonitas e expressivas, criando uma forte ligação não só entre elas mas também connosco (pelo menos comigo). Jung-wo Ha, como o sedutor Conde, e Jin-woonh Jo, como o perverso tio, vão bem nos seus papéis, mas são ofuscados pelas actrizes.

O Filme: Há muito que não via um filme tão sensual, tão erótico e tão sedutor. Visualmente bonito e com uma realização muito cuidada, este novo filme do realizador sul-coreano Chan-wook Park atraiu a minha atenção desde a primeira imagem, quase como se fosse um íman. Com um argumento bem construído e, acho que posso dizer, retorcido, este thriller dramático é um objecto fascinante, com uma grande carga erótica e com um forte lado perverso. As cenas em que Hideko lê passagens eróticas perante um grupo privado de homens, são estranhamente excitantes e plasticamente belas. Gostei muito da forma como o humor está presente de forma subtil, mesmo nos momentos mais dramáticos, nunca lhes tirando força mas tornando-os mais humanos. Por fim, as sequências de amor entre as duas mulheres incendeiam o ecrã de uma forma como há muito não via. O ritmo um pouco lento e o facto de durar quase duas horas e meia pode afastar muitos espectadores, mas aconselho a não perderem este filme. É, desde já, uma das grandes surpresas do ano! E, com 59 prémios internacionais, não me parece que esteja a exagerar.

Classificação: 8 (de 1 a 10)






















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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

MOONLIGHT de Barry Jenkins

A História: Chiron é um miúdo negro que vive com a sua mãe drogada num bairro difícil de Miami, onde ser diferente é um problema. Talvez por isso, ele é vitima de “bullying” e, a fim de sobreviver, é obrigado a tornar-se um durão.

Os Actores: Três actores dão vida ao personagem principal. Alex R. Hibbert como o miúdo que não sabe quem na realidade é, Ashton Sanders como o tímido e revoltado teenager e Trevante Rhodes como o durão em que ele se transforma em adulto. Presumo que o facto de nenhum deles ser muito emocionalmente expressivo se deve ao facto do personagem ser assim mesmo, comedido e de poucas palavras. Naomie Harris é a sua a odiosa e fria mãe. No papel de Kevin, André Holland dá alguma vida ao filme.

O Filme: Este filme tem sido vendido como sendo sobre o "coming out of the closet" de um jovem negro gay num ambiente hostil, assunto tabu na comunidade negra; mas depois de ter visto o filme sou forçado a interrogar-me se o assunto é o mesmo o facto de ele ser gay. Pessoalmente, acho que é a história de um rapaz/homem que ainda não encontrou a sua verdadeira entidade. O realizador Barry Jenkins debruça-se sobre três pequenos períodos da vida de Chiron e ninguém o pode acusar de ser lamechas, muito antes pelo contrário. Há muito que não via um filme tão contido em termos de emoções, na verdade demasiado contido para o meu gosto. Precisava de algo que me aquecesse a alma ou a fizesse vibrar e não consegui envolver-me emocionalmente com o filme. O suposto assunto principal, a homossexualidade de Chiron, é abordado de forma demasiado subtil e se não fosse a cena da praia, a maioria do público nem iria perceber o que se passava. Ou seja, cinema gay feito para um público heterossexual, o qual não convém chocar. Do que eu mais gostei foi da cena no restaurante, quando Kevin põe uma canção a tocar na jukebox e a letra desta diz o que ele não é capaz de dizer; quanto à cena da praia, está filmada de forma delicada e bonita. É uma pena não haver mais momentos destes. Assim, lamento, mas achei o filme chato, desinteressante e, apesar de alguns bons momentos, não mexeu nada comigo. Não digo isto para ser do contra, mas confesso que até dei umas “cabeçadas” durante a primeira parte do filme.

Classificação: 4 (de 1 a 10)









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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

THÉO ET HUGO DANS LE MÊMÊ BATEAU de Olivier Ducastel & Jacques Martineau

A História: Théo e Hugo conhecem-se num clube de sexo parisiense e, no calor do momento, Théo fode Hugo sem preservativo. O problema é que Hugo é sero-positivo e isso obriga Théo a ir ao hospital fazer um tratamento PEP (profilaxia pós-exposição). Juntos, passam a noite pelas ruas de Paris e apaixonam-se.

Os Actores: Geoffrey Couët e François Nambot formam o par sexual/romântico deste drama e estão ambos à vontade com a sua sexualidade. Ambos têm um ar real, longe do padrão modelo bonito/perfeito que todos os gays parecem querer ter, e isso torna-os mais próximos do público (falo por mim). A relação entre os dois não é falsa e sente-se a forte atracção que sentem um pelo outro.

O Filme: A sequência inicial do filme, com os seus tons fortes, é sexualmente explícita, capaz de causar algumas consequências embaraçosas em alguns membros do público. Pessoalmente, apesar de ter gostado, achei que essa cena se prolonga por demasiado tempo, sem necessidade disso. O que se segue, na linha do WEEKEND, é a história de um engate que se transforma em algo mais, aqui acrescido do problema da VIH. Há muito que não via o VIH a ser alvo de tanta atenção num filme e os realizadores Olivier Ducastel & Jacques Martineau encaram-no de forma normal, sem julgamentos morais. Pelo meio, o filme arrasta-se com duas cenas que em nada adiantam à história (a mulher no metro, o empregado do Kebab). O melhor fica para o fim, que como devem calcular não vou revelar; essa sequência dá uma outra dimensão ao filme e, para os dias de hoje, tem uma grande relevância. Como já referi, o filme fez-me lembrar o WEEKEND; esse era mais romântico, este é mais sexual, mas ambos mostram lados reais da vida gay.

Classificação: 7 (de 1 a 10)








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