Etiquetas

sexta-feira, 29 de junho de 2018

COM AMOR, SIMON (Love, Simon) de Greg Berlanti


A História: Simon é um teenager com uma vida excelente, mas que tem um segredo que o corrói, ele é gay. Quando um dia alguém do seu liceu publica um post em que diz ser gay, ele decide responder e apaixona-se por esse alguém. O problema é que o seu segredo pode ser exposto a qualquer momento.

O Filme: Pelo resumo do argumento, poderão pensar que estamos perante um grande dramalhão, mas não é verdade. O realizador Greg Berlanti (THE BROKEN HEARTS CLUB: A ROMANTIC COMEDY) dá-nos uma comédia engraçada, repleta de bom humor, com algumas cenas muito divertidas, mas também com muita emoção. Okay, eu confesso, chorei numa das cenas!
Presentemente, o cinema LGBT parece estar a ter uma maior divulgação e, para variar, está a começar a dar uma imagem mais positiva sobre o tema. Este ano já pudemos ver o excelente CALL ME BY YOUR NAME, e agora com este LOVE, SIMON, continuamos no caminho de filmes temáticos produzidos a pensar no grande público; portanto nada de chocante por aqui, pode ser tudo muito casto, mas o importante está aqui. A aceitação de sermos quem somos e a conquista do respeito dos outros.
No papel principal, Nick Robinson, é simpático e um bocado assexuado, mas estamos a falar de um personagem que ainda não fez sexo, por isso acho que ele até vai muito bem. Como os seus pais, Jennifer Gerner e Josh Duhamel são comoventes e Katherine Langford é óptima como a amiga apaixonada e compreensiva. No entanto é Logan Miller, como o parvalhão do Martin, o colega de Simon que faz chantagem com ele, quem mais sobressai.
As mentes mais conservadoras não têm nada a temer e esta comédia juvenil é um verdadeiro “feel-good movie”; duvido que no final não estejam todos a torcer pela felicidade de Simon.

Classificação: 7 (de 1 a 10)











domingo, 11 de março de 2018

MARVIN (Marvin ou la Belle Éducation) de Anne Fontaine

A História: O pequeno Marvin Bijoux, devido à sua patente homossexualidade, é vítima de bullying na escola e mantém segredo de tudo isso em casa. Com a ajuda da directora da escola, vai frequentar um curso de teatro e já adulto encena uma peça sobre a sua infância.

O Filme: O jovem Marvin deste filme é o completo oposto do Elio de CALL ME BY YOUR NAME. Para ambos não é fácil “saírem do armário”, mas enquanto Elio tem o apoio incondicional da sua família, Marvin tem que fugir da sua família para se poder afirmar. A família de Elio é culta e endinheirada, a de Marvin pobre e com um baixo nível de educação.
Este drama de Anne Fontaine dá-nos um retrato mais realista sobre a vida de um jovem gay, sem o romantismo ou a poesia de CALL MEBY YOUR NAME. Mas isso não faz do seu filme uma melhor obra. Fontaine peca por arrastar a história sem necessidade de o fazer e perde-se por vezes em reflexões ditas profundas que roçam o pretensiosismo (caso da conversa da directora da escola com um já adulto Marvin, em que ela diz muita coisa, mas que no fundo não diz nada). Pretensiosa é também a peça gay a que Marvin assiste; já a sua própria peça, apesar de parecer chata, é plasticamente interessante.
Como o pequeno Marvin, Jules Porier dá ao seu personagem sensibilidade e uma profunda solidão. Como o já adulto Marvin, Finnegan Oldfield dá ao seu personagem uma constante sensação de infelicidade e de alguém perdido no mundo em que vivemos. Sem dúvida que o Marvin adulto tem uma postura estranha e dificuldade em integrar-se, o que faz todo o sentido devido ao seu passado. No papel de ela própria, Isabele Huppert dá-lhe o apoio que ele necessita e Catherine Salée é credível como a genuinamente interessada directora da escola.
Graficamente, não é um filme gay que vá chocar as mentes mais fechadas e a história que conta é universal.

Classificação: 6 (de 1 a 10)



segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

CHAMA-ME PELO TEU NOME (Call Me by Your Name) de Luca Guadagnino

A História: Itália 1983. Férias de Verão. A família de Elio, um jovem de 17 anos, recebe em sua casa o estudante americano Oliver, que vai ajudar o pai de Elio nas suas pesquisas arqueológicas. Apesar de algum antagonismo inicial, Elio e Oliver apaixonam-se um pelo outro.

O Filme: Há filmes assim, em que tudo encaixa na perfeição e cujo resultado final fica connosco para sempre. O realizador Luca Guadagnino capta com sensibilidade uma belíssima história de amor e com nostalgia a atmosfera dos Verões da nossa juventude, de uma época em que a vida era mais simples e as mentes mais abertas.
O filme é como que uma suave brisa de Verão que nos inebria com a sua quente fotografia, com os aromas da natureza, o calor dos personagens, a banda sonora perfeita, a sensualidade à flor da pele, os apontamentos certos de humor... é um filme que nos desperta todos os sentidos e nos faz sentir apaixonados, com momentos hilariantes pelo meio, como a cena do pêssego (nunca mais vou olhar para um pêssego da mesma maneira).
Adaptando um romance de André Aciman, que não li, James Ivory tem um regresso prodigioso ao cinema, dando-nos um argumento fabuloso que combina na perfeição com a realização de Guadagnino. Não nos podemos esquecer que foi Ivory que, em 1987, nos deu MAURICE, um clássico do cinema gay.
O elenco é verdadeiramente notável. O jovem Timothée Chalamet é uma verdadeira revelação como Elio, transmitindo tudo o que um adolescente sente na descoberta da sua sexualidade, um poço de emoções em conflito, pronto a explodir em qualquer momento. A seu lado o “borracho” do Armie Hammer é muito mais que uma cara e um corpo perfeito; no “The Hollywood Repoorter” dizem sobre a sua interpretação algo que não podia ser mais acertado: “quando uma estrela se transforma em actor” e que actor! A química entre Chalamet e Hammer é tão natural como a sua sede e ambos se entregam apaixonadamente aos seus personagens. Os olhares furtivos, os toques tímidos, o desejo latente... eles são o par perfeito! A câmara também está apaixonada por eles e filma os seus corpos de forma elegante, sensual e acariciante,
Brilhante é, também, Michael Stuhlbarg como pai de Elio. Um personagem bem-disposto e que, perto do final, tem um dos mais emocionantes discursos que ouvi nos últimos anos e que me pôs a chorar. Uma verdadeira cena de antologia! Amira Casar como a sempre atenta mãe e Esther Garrel como a namorada apaixonada de Elio, também vão muito bem.
Isto é cinema de grande qualidade! Não se assustem por ser uma história de amor gay entre um puto de 17 anos e um homem de 24 anos, acreditem que é tudo filmado com cuidado, amor e um carinho puro pelos personagens. É como um poema romântico e lírico em forma de filme, inesquecível! 

Classificação: 9 (de 1 a 10)




sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

UMA MULHER FANTÁSTICA (Una Mujer Fantastica) de Sebastián Lelio

A História: Marina, uma jovem transexual, tem uma relação com Orlando, um senhor que tem idade para ser pai dela. Quando este morre repentinamente, a família dele quer a todo o custo afastar Marina do velório e funeral.

O Filme: Uma boa história, que foca um problema raramente abordado no cinema, realizada com honestidade por Sebastián Lelio, que não explora o tema da transexualidade de forma gratuita. No entanto senti que falta alma ao filme, é tudo muito casual, tudo muito tépido. Falta-lhe humor ou então ter uma componente mais dramática. Consigo perfeitamente imaginar o que Pedro Almodovar faria com este material.
Daniela Vega, uma actriz transexual, dá dignidade, fragilidade e serenidade a Marina; mas a sua personagem é demasiada passiva perante a vida e teria gostado de a ver perder as estribeiras de vez em quando (só acontece uma vez). O restante elenco dá credibilidade às personagens que a rodeiam.
Estive todo o filme à espera que algo de verdadeiramente dramático acontecesse e o mistério da chave é um vazio clímax, ou será que existe algum significado aqui que me escapou? Uma vida vazia? Não sei, talvez... Marina tem uma tendência natural de escapar para o seu mundo de fantasia, mas algumas das cenas em que isso acontece pouco ou nada acrescentam ao filme, como por exemplo a dança no bar ou a caminhada contra o vento. Um pouco mais de garra e paixão poderiam ter feito deste filme um excelente drama e Daniela Vega merecia isso. Felizmente para ela, o filme termina de forma digna.

Classificação: 5 (de 1 a 10)



terça-feira, 26 de dezembro de 2017

KING COBRA de Justin Kelly

A História: Graças ao produtor Stephen, o jovem Sean transforma-se com grande êxito em Brent Corrigan, uma nova estrela do cinema porno gay. As coisas entre os dois não correm bem e Brent tenta quebrar o contrato assinado com Stephen. Ao mesmo tempo Joe, outro produtor, quer transformar o seu namorado Harlow numa estrela; para isso precisa que este faça um filme com Brent, custe o que custar.

O Filme: Retrato negro dos bastidores do cinema porno-gay, baseado numa história verídica e com banda sonora igual às produções que retrata. Havia aqui material para um bom filme, mas falta-lhe dramatismo e, principalmente, uma melhor direcção de actores.
Apesar de haver um fio condutor, a realização de Justin Kelly (o mesmo de I AM MICHAEL) parece ser feita de cenas soltas, sem uma continuidade que as una de forma a transformaram-se num verdadeiro drama. A nenhum dos personagens é dada grande densidade psicológica, sendo pouco mais que esboços a necessitarem de serem preenchidos com emoção e vida.
As interpretações do elenco estão, com excepção de Christian Slater como Stephen, ao nível das dos filmes porno-gay. No papel de Brent, Garrett Clayton é um menino bonito, irritante, arrogante e vazio. É de louvar o apoio que James Franco tem dado ao cinema gay, mas o seu Joe é forçado, por vezes gratuito. Como o seu amante, Keegan Allen parece estar pouco à vontade, mas isso também pode ter tudo a haver com o personagem transtornado que interpreta. Voltando a Christian Slater, este consegue dar alguma dignidade ao seu papel e o seu desejo por meninos mais novos é palpável. Molly Ringwald e Alicia Silverstone são as secundárias presenças femininas.
Os corpos desnudados dos actores ornamentam a acção, com alguns momentos mais quentes para nos manter entretidos, mas tudo ao nível do mais “limpinho” softcore. Senti que este filme foi uma oportunidade perdida de nos dar uma visão negra e dramática do que se passa por detrás das câmaras do cinema porno.

Classificação: 4 (de 1 a 10)