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quinta-feira, 6 de junho de 2019

ROCKETMAN de Dexter Fletcher

A História: Enquanto está na clínica de reabilitação, Elton John recorda-se de como tudo começou, da fria relação com os pais, do apoio da avó, os primeiros momentos musicais, os amantes, as paixões e os seus vícios.

O Filme: Depois do sucesso que foi o BOHEMIAN RHAPSODY sobre a vida de Freddie Mercury, chega-nos um filme sobre a vida de Elton John. O primeiro era um drama muito emocional que me pôs a chorar, mesmo não sendo fã das músicas dos Queen (eu é mais Broadway). O presente filme é uma fantasia musical dramática, mas bem pontuada de humor; quanto ao tio Elton John, também não sou fã da sua música.

Para quem não goste de musicais tradicionais, esta biografia poderá não ser muito bem aceite. Os personagens cantam e dançam quando e onde bem lhes apetece, sem ter que ser nos palcos. Pessoalmente, como apaixonado por musicais, adoro essas coisas e fico sempre cheio de vontade de me juntar à festa.

A abordagem fantasiosa que o realizador, Dexter Fletcher, adoptou está em perfeita sintonia com o universo colorido e louco de Elton John. O filme é um festival de cor, maluquice e música. Fletcher não foge do drama, nem das drogas ou da homossexualidade do seu personagem, mas o que lhe interessa mesmo é a essência musical de Elton John.

No papel principal, o jovem Taron Egerton é excelente, entregando-se totalmente ao seu personagem e ele é mesmo que canta, o que faz sem esforço A seu lado, Bryce Dallas Howard brilha e surpreende como a sua mãe e Jamie Bell é muito bom como o seu amigo Bernie Taupin (letrista de muitas das canções).

Um bom filme que aconselho e deixem-se levar pela fantasia, acreditem que vão sair de lá com pezinhos dançantes!

Classificação: 7 (de 1 a 10)





domingo, 19 de maio de 2019

AGRADAR, AMAR E CORRER DEPRESSA (Plaire, Aimer et Courir Vite) de Christophe Honoré

A História: Jaqcues, um escritor de meia-idade infectado com HIV, e Arthur, um jovem estudante, conhecem-se por acidente e apaixonam-se. Mas Jacques, que sente que a sua vida tem os dias contados, tem medo de aceitar o amor de Arthur.

O Filme: O realizador e argumentista Christophe Honoré leva-nos de volta aos anos 90 para nos contar uma história dramática de como era viver com o HIV nesses tempos. Os seus personagens parecem perdidos nas suas vidas, que por acaso não são muito interessantes. A acção arrasta-se por mais de duas horas e não havia necessidade. 

Para mim, o filme ganhava se fosse mais curto e se não perdesse tempo com algumas personagens e cenas que pouco adiantam à história, como por exemplo as duas cenas no cemitério. Na verdade, o filme é por vezes pretensioso, com algumas tiradas intelecto/culturais (o túmulo do François Truffaut) ou a explicação dos vários tipos de homens...

Sexo não há muito, mas os actores Pierre Deladonchamps (do DESCONHECIDO DO LAGO) e Vincent Lacoste tem química e estão à vontade nas trocas de beijos. Mas as melhores cenas são entre Deladonchamps e Clément Métayer como Pierre, o ex de Jacques em estado avançado da doença; para mim. Este personagem é o melhor do filme e gostava de ter visto mais dele.

O filme não é mau e retrata um assunto que não deve ser esquecido, sem palavrinhas mansas e sem moralismos. Mas podia ser tão “mais melhor bom”!

Classificação: 4 (de 1 a 10)



domingo, 28 de abril de 2019

DOIS A PERDER – Um Video Musical

O jovem compositor Tiago Braga é um dos raros artistas portugueses que teve a coragem de assumir que é gay. Recentemente lançou o seu quarto single, para o qual foi realizado este videoclip. O tema foi escrito pelo Tiago e pelo Tyoz (Mateus Seabra).

No vídeo, protagonizado pelo Tiago e por Nuno Nolasco, um engate num bar leva a uma relação que vai por caminhos perigosos.


domingo, 21 de abril de 2019

BOY ERASED de Joel Edgerton

A História: Jared é o jovem filho de um pastor Baptista. Quando os pais ficam a saber que ele é homossexual, com o apoio dos anciãos da sua igreja, enviam-no para um programa de conversão gay num centro financiado por essa mesma igreja

O Filme: Este drama teve estreia marcada nos nossos cinemas para Março deste ano, mas infelizmente não conseguiu chegar aos nossos ecrãs. Vá lá perceber-se os critérios dos nossos “queridos” distribuidores de cinema...

Mais conhecido como actor, Joel Edgerton (que aqui desempenha o papel do “guru” do centro de conversão) adapta ao cinema a autobiografia de Garrard Conley e dá-nos um filme revoltante, que nos faz pensar que direito têm os outros de forçar a alguém a negar a sua verdadeira natureza e a ser infeliz toda a sua vida. Esta moda da terapia de conversão de gays em pessoas “normais” é doentia e tem alastrado de forma assustadora. O retrato aqui nos dado por Edgerton é por vezes violento, revelando o pouco cristianismo usado no tratamento a que são submetidos os jovens. Numa das cenas mais fortes, uma família (pai, mãe e irmã pequena) batem na cabeça do seu filho gay com uma bíblia, em frente do grupo de conversão. A cena da violação de Jared também é incomodativa.

Como devem calcular, Jared consegue, com a ajuda da sua mãe, abandonar a terapia e acaba por ter uma vida normal. Mas o que importa a Edgerton é mostrar todo o processo absurdo de conversão e o acordar sexual de um jovem criado no seio de uma família muito religiosa, algo com que eu facilmente me identifiquei (“Fantasmas Religiosos”).

A liderar o excelente elenco, Lucas Hedges, apesar de igual a si próprio, convence como Jared e Russell Crowe volta à boa forma como o pai dividido entre a sua fé e o amor que sente pelo seu filho. Joel Edgerton é o irritante e homofóbico “guru”, (spoiler) que no fundo não passa de um gay frustrado. Mas é Nicole Kidman quem mais brilha, como a luminosa, forte e emotiva mãe; sem dúvida uma das suas melhores interpretações, que lhe valeu alguns prémios como melhor actriz secundária. 

Não o nego, o filme é, no meu ver, demasiado envergonhado no que toca a sexo, mas sei que isso também não é o mais importante para a história, mas um pouco mais de tensão sexual podia torná-lo mais apelativo ao público LGBT, mas acho que os produtores não quiseram arriscar chocar o público em geral. Seja como for, é um bom filme, que me irritou, e que acho é de visão obrigatória. Espero que, mais tarde ou mais cedo, acabe por chegar aos nossos cinemas ou aos clubes de vídeo do MEO, NÓS e companhia. 

Classificação: 7 (de 1 a 10)








sexta-feira, 19 de abril de 2019

NAMORICO DO ANDRÉ – Um Video Musical

Como devem saber melhor que eu, os Fado Bicha são o Tiago Leão, que é uma fadista de barba, e o João Caçador, o seu guitarrista particular. Ambos adaptaram o nosso Fado à bichice e fazem-no com graça, talento e alma.

Aqui vos deixo o seu primeiro videoclip, que é também o novo single do seu álbum de estreia, cujo lançamento está para breve. No vídeo o André peixeiro e o Chico pescador vivem um amor caliente.

O videoclip é realizado por Tiago Leão, com Jeferson Rocha e Noé João, como André e Chico. Venham mais como este! 


domingo, 14 de abril de 2019

ALMAS DESPIDAS / CORPOS DESNUDADOS - Uma Entrevista por Jorge Tomé Santos

Em Outubro de 2018, Luís Covas, designer de profissão, deu início ao seu projecto my_undressed_soul, dando assim expressão a uma das suas maiores paixões, a fotografia.
O projecto nasceu no Instagram, mas como neste reina a censura foi alargado ao Flickr e ao site pessoal do Luís. As fotos retratam de forma intimista homens nus, não na perspectiva gratuita de mostrar simplesmente corpos desnudados, mas sim de almas despidas, sem medos, sem censuras, sem vergonhas, sem tabus. O corpo masculino tal como é. Magros ou gordos, pretos ou brancos, peludos ou depilados... não há restrições.
Sentei-me com o Luís para uma pequena entrevista sobre o seu projecto e aqui vos deixo, sem quaisquer filtros, o resultado da mesma.
Antes de passarmos à entrevista, duas coisitas. Se estiverem interessados em fazer parte do projecto enquanto modelos, podem contactar o Luís através do email: info@luiscovas.com
Se tiverem curiosidade de seguir o projecto, aqui vos deixo os links:
Instagram: @my_undressed_soul
Flickr: myundressedsoul
Site: www.myundressedsoul.com

Jorge Tomé Santos: Quando é que começou o teu interesse pela fotografia?
Luís Covas: Quando vi as fotografias que o meu pai tinha tirado, revelado e ampliado, quando estávamos na Madeira. Foi o sítio onde eu nasci e os meus irmãos também.
Lembro-me perfeitamente de ver aquelas fotografias impressas e coladas numa placa de madeira. Estavam na garagem, penduradas na parede, e fascinaram-me. Fotografias a preto e branco da montanha; acho que era o Pico do Areeiro com nuvens. Achei muito expressivas e interessantes. Captar a realidade de uma forma mais dramática ou mais emocional.

Que idade é que tinhas quando nasceu esse teu interesse pela fotografia?
Interesse, interesse, desde mesmo muito pequenino. Desde que vi essas fotografias.

E o interesse pelo lado artístico? De tu também poderes fazer?
Foi mais quando já estava na faculdade. Tinha para aí os meus 18/19. Fiz uma cadeira de fotografia.

Chegaste a fazer revelação e ampliação de fotografia?
A minha prima estava no IADE e também tinha uma cadeira de fotografia. Nós íamos para o sótão da casa dela, onde ela tinha o estúdio e fazíamos nós a revelação e a ampliação das fotografias.

Isso era engraçado...
Era giro... era um processo analógico... com negativos. Aquilo era uma chatice; quando corria mal, os negativos ficavam estragados....

Este projecto, My Undressed Soul, nasceu por algum motivo especial? Foi crescendo... Já vi que fiz uma pergunta indiscreta...
O motivo especial foi um pouco de valorização pessoal. Foi também porque na altura não estava muito bem psicologicamente e emocionalmente... E precisava de qualquer coisa...

Foi um escape.
Qualquer coisa a que me agarrar... talvez por vingança emocional... 

Vingança emocional!
De querer mostrar qualquer coisa que ainda não tinha mostrado até então. De querer dar nas vistas... mas acima de tudo também porque gosto muito de fotografia. Era uma forma também de ter um hobby, uma forma de me exprimir.

Este projecto é, sem sombra de dúvida, um projecto gay. A pensar na comunidade gay, certo?
Sim... Quero dizer, eu não gosto de rotular ninguém...

Mas o tipo de fotografia que é. Para já só fotografaste homens. Há alguma hipótese de abrires a mulheres também? Para já não?
Não digo que não, mas para já não. Não me sinto tão confortável e eu preciso de me sentir confortável com o modelo.

Em termos de feedback das pessoas que seguem o teu projecto, como tem sido?
Maioritariamente tem sido muito positivo. As pessoas gostam de ver reflectido o homem  comum; o homem normal que não é modelo profissional, não é super-musculado. Gostam de se ver reflectidas ali de alguma forma as caraterísticas do homem normal. Seja gordo, seja magro, louro, moreno. Gostam de ser ver ali de alguma forma retratadas.
Também já tive críticas do ponto de vista de acharem que eu devia apostar mais em pessoas mais diferentes, na diferença.

Já reparei que tens lá várias etnias.
Sim, gosto de apostar em mostrar essa diferença. Em termos de etnias, em termos de idade, em ternos culturais. Ainda só consegui fotografar homens com barba...

Isso é a moda.
E é o que tem aparecido. Portanto é por aí.

Em termos dos modelos. Tens notado que as pessoas estão abertas a ser fotografadas, se têm alguns receios? Quais são os maiores medos dos modelos?
Geralmente os modelos que eu chego a fotografar têm sempre consciência de quais são os problemas que poderão vir a ter com a exposição a que se vão submeter. Já tive um problema com um modelo; tive que retirar fotografias. Por uma questão logística, a coisa não correu muito bem e ele teve problemas no emprego. Mas foi a única pessoa, de resto não tive problemas com mais nenhum. Felizmente.

Como é que as pessoas se têm sentido durante as sessões? Sentem-se soltas, custam a “abrir”?
Depende das personalidades das pessoas, mas a maior parte sim. Sentem-se soltas e à vontade. Algumas revelam um lado mais exibicionista que têm e talvez essa seja a razão mais vulgar, mais comum, a todas as intenções dos modelos em querer fazer a sessão. 
Tive um que não estava assim tão à vontade. Mas foi um caso pontual. Os resultados notam-se na sessão; não postei tantas fotografias dessa pessoa. Se bem que tenho fotografias boas dele, mas que não se enquadram no espírito do projecto.

A reacção dos modelos às fotografias, como tem sido? Gostam de se ver? Sentem-se valorizados?
Sim, sim, sentem-se valorizados. Esse é o feedback mais comum que tenho, de se sentirem valorizados. Até porque alguns deles de facto não têm corpos esculturais. São pessoas que, de alguma forma, veêm ali reflectida uma realidade que elas próprias desconheciam. E eu tento sempre puxar muito pelo lado da personalidade deles.

Sim, percebe-se isso nas fotografias. Há também alguma encenação, certo?
Por vezes enceno um pouco, mas tem sempre a ver com qualquer coisa que eles me dizem.

Tentas perceber se há alguma parte na personalidade da pessoa que possas explorar? 
Sim, sim.

Achas que é um projecto para continuar durante muito tempo?
Acho que vai depender muito das pessoas que vão aparecendo. Se de facto forem pessoas que me motivem e que são diferentes, que me tragam algo novo ao projecto, acho que sim.
Se começar a reparar que caio muito na mesma coisa, não.

Também não é muito fácil mudar...
Não... mas há muitas pessoas diferentes e muitos ângulos possíveis... mas depois também há limitações.

O ambiente, a casa, a praia...
Os cenários... Ainda há muita coisa que eu quero explorar. Portanto vai depender muito de quem aparecer e das oportunidades que eu tenha.

As fotografias... Não se pode dizer que são fotografias de sexo, porque não são. Pelos menos na minha opinião. Sei que há fotografias desse género, mas não no Instagram, porque eles também o não permitem. Mas tens fotografias mais “hard” no Flickr e no teu próprio site.
Tens vontade de fazer mais fotografias dessas, mais “hard”? Ou não te sentes tão confortável com isso? 
Sim porque é uma outra faceta. Eu acho que o sexo pode ser uma coisa muito bonita, esteticamente muito apelativa. É esse o lado que eu tento explorar quando faço as fotografias mais relacionadas com sexo. Pode parecer gratuito a algumas pessoas, mas para mim não é, porque mostra um lado de beleza... Eu acho um pénis uma parte do corpo lindíssima; seja quando está erecto ou não.

Erecto ou mole, tanto faz.
E uma relação entre duas pessoas, ou três ou quatro, ou seja lá quantas forem, pode ser muito bonito.

Agora uma pergunta que eu tenho que fazer, pois sei que é algo que as pessoas pensam. Estas sessões fotográficas geralmente poderão acabar em sexo? Têm que acabar em sexo?
Não têm esse intuito, de todo.

Mas é uma situação em que podes sentir-te excitado e a coisa poder acontecer ou não.
Já aconteceu sim. Digamos que...

Eu não quero saber a percentagem, não vale a pena. Já aconteceu. Okay. Mas não tem que acontecer. Ou seja, se as pessoas que leiam esta entrevista quiserem ou acharem que estão interessados em ser fotografadas, não têm que pensar “porra, lá tenho que me ir despir e lá tenho que fazer sexo com o fotógrafo”?
Claro que não.

Esta pergunta não vais responder. Mas houve algum modelo que sentisses mais próximo em termos de fotografia e que gostasses de explorar mais vezes? Que achasses que é mais no espírito do projecto?
Sim, houve.

Não tens que dizer os nomes. Mas há, há sempre uns mais... mas não vamos dizer nada porque não queremos ofender ninguém.
São pessoas mais versáteis em termos de imagem, mas libertas... mas também mais versáteis em termos de personalidade e que demonstram toda uma panóplia de lados que ficaram ainda por explorar. 

Em termos de feedback das pessoas que seguem o projecto, há algum tipo de modelo que eles procurem mais, que façam mais likes do que a outros?
Sim, claro. 

Tipo um gajo que tenha um corpo bom...
Pessoas que exultem mais o sexo, o lado mais sexual. Mais masculino no sentido de um corpo mais peludo, mais definido... Essas são as fotografias que têm uma reacção mais intensa por parte do público. 

Para terminar, mais alguma coisa que queiras acrescentar?
Que venham até mim. Todas as pessoas diferentes, pelo menos para que me deêm a oportunidade de explicar o que é que se pretende com o projecto.

Portanto neste projecto, tu não pagas aos modelos.
Não, não pago aos modelos. É uma colaboração.

Os modelos não têm que pagar a ti e a única coisa que eles têm é que te autorizar que as fotografias sejam utilizadas no teu site, no Flicrk, no Instagram. Tu mostras-lhes primeiro as fotografias e vês se eles concordam com aquela fotografia ou não. A cara, geralmente terão que a dar, não necessariamente em todas as fotos.
Mas é uma condicionante que eu gosto de ter a liberdade de...

Tem a ver com a expressão da pessoa. Para mostrar a alma da pessoa.
Exactamente.

My Undressed Soul, a alma despida, não é verdade?
Os olhos falam muito e gosto muito disso.

Obrigado. E agora ficamos por aqui.
Obrigado eu.






YOU GOTTA GET A GIMMICK – Um Video Musical

Em 1959 estreou na Broadway o musical GYPSY. Com música de Jule Styne (Funny Girl) e letra de Stephen Sondheim (Into the Woods), é considerado um dos melhores musicais de sempre e a sua partitura é simplesmente fantástica.

O número mais engraçado é este “You Gotta Get a Gimmick”, onde três decadentes strippers ensinam à protagonista, a famosa Gyspy Rose Lee, como fazer strip. Aqui, Gavin Creel, Jason Tam e Andy Karl, divertem-se com o número. Espero que gostem.

Na edição deste ano do espectáculo “Broadway Backwards”, Gavin Creel e Andrew Rannells são as divas e estão bem acompanhados.