Aqui vos deixo uma galeria com os cartazes de praticamente todas as longas-metragens (ficção e documentários) que vão ser exibidas no decorrer do Festival.
Para mais informações visitem o site do QUEER LISBOA: https://queerlisboa.pt/
Aqui vos deixo uma galeria com os cartazes de praticamente todas as longas-metragens (ficção e documentários) que vão ser exibidas no decorrer do Festival.
Para mais informações visitem o site do QUEER LISBOA: https://queerlisboa.pt/
Sempre que ouço alguém dizer que ser gay é uma escolha, fico possesso. Alguém no seu perfeito bom senso iria escolher ser algo que lhe vai dificultar a vida? Acredito que não. Assumirmos que somos gays é um acto de coragem, tanto para nós próprios como para os outros. Na verdade, não o devia ser, mas é ainda o é, e cada vez mais.
Digam o que disserem, ser-se gay não é fácil, nunca foi e duvido que algum dia venha a ser. Apesar de todas os direitos adquiridos ao longo dos anos, continuamos a ser vistos como uma “anormalidade” aos olhos da sociedade maioritariamente heterossexual em que vivemos. Desde os que acham que somos uma ameaça à chamada “família natural”, aos que nos odeiam com medo de que os possamos converter ou mesmo aqueles que, pura e simplesmente, não gostam de nada que fuja ao que a sociedade determina como sendo normal.
Não sou daqueles que acho que todos devem “sair do armário”, pois em muitos casos isso pode significar uma vida muito complicada ou mesmo colocar em risco a sua própria vida. Como é do conhecimento geral, ou devia ser, muitos são os países (mais de 60) onde ser-se gay leva à prisão ou mesmo à morte. Durante muitos anos a homossexualidade foi considerada um crime (ainda o é, depende de onde se tem a sorte de viver) e foi vista também como uma doença (e ainda há quem ache isso).
Que eu tenha conhecimento, ainda não existe um censo oficial em Portugal que contabilize a orientação sexual e a identidade de género, mas alguns estudos internacionais apontam para uma estimativa entre 7% a 10% da população portuguesa, o que dá entre 700 mil e 1 milhão de pessoas. Portanto, somos muitos! Somos quase tantos como os que votaram no Chega nas últimas eleições e, para não ser chamado de faccioso, tantos como os que votaram no PS.
Voltando à Marcha deste ano, consta que éramos entre 50.000 a 60.000 pessoas. Uma coisa que não pude deixar de reparar, foi a quantidade de estrangeiros presentes e a forma como facilmente se integraram. Pessoalmente, acho que é bom que exista esta diversidade de nacionalidades.
E agora lá vem uma parte mais polémica, mas é a minha opinião, com a qual espero não ofender ninguém. A razão de ser da Marcha é, e sempre foi, para garantirmos ter os mesmos direitos e oportunidades que qualquer outro cidadão, bem como sermos respeitados por quem somos. Felizmente, por enquanto, conseguimos algumas dessas vitórias. Talvez por isso não concorde com a criação de leis especiais só para nós. Também não concordo com alguns dos cartazes que vi durante a Marcha, dos quais destaco dois exemplos: “abaixo o pacote laboral” (percebo a razão, mas não é um problema só nosso) e “que se foda a lei...” (durante anos lutámos por leis que nos protejam e agora vimos dizer que se foda a lei? Não faz sentido).
Sei que alguns partidos políticos se servem da nossa luta para tentarem “vender” as suas ideologias e radicalismos de esquerda ou direita, mas não só não nos fica bem, como podem colocar em risco anos de luta. Se queremos respeito, também temos que o dar e, acima de tudo, temos que nos unir enquanto comunidade.
Compreendo a revolta contra um governo que, em vez de resolver problemas graves como a crise da habitação, SNS, etc, perde tempo a criar leis sobre o hastear de bandeiras em edifícios públicos, limita o ensino da abordagem da identidade de género e da diversidade e procura despenalizar as terapias de conversão, entre outras coisas. É como se a comunidade LGBT fosse um alvo fácil, e temo a perda dos nossos direitos. Por isso marchei este ano, mas não concordo com radicalismos de qualquer espécie.
Para terminar este longo texto, alguém me sabe explicar por que razão é que a organização do Arraial Pride parece ser só da competência da ILGA? Não devia ser algo organizado por todas as nossas associações LGBT? São estas divisões que me tiram do sério!
Pelo que ouvi dizer, não fazem o Arraial este ano porque o Terreiro do Paço está preparado para a exibição de jogos de futebol. Mas será que a Câmara de Lisboa não tem outros espaços onde o nosso Arraial possa acontecer? Será que o Sr. Carlos Moedas nos vai, com toda a sua benevolência, conceder a autorização para fazer o Arraial em Julho ou está com receio do que o seu eleitorado possa pensar? Seja lá o que for, espero que, mais tarde ou mais cedo, se realize o nosso Arraial.
Os comentários estúpidos, agressivos e ignorantes que fizeram no Facebook à minha foto na Marcha, provam que estas marchas continuam a ser cada vez mais necessárias. Mas estamos cá, somos muitos e não temos medo de sermos quem somos; o lema este ano era: “Nem Silêncio, Nem Medo: Existimos e Resistimos” e não podia estar mais certo. Nunca se esqueçam que a nossa identidade sexual ou de género não nos define como pessoas, somos muito mais que isso! Um feliz e alegre Pride para todos!
Sabem uma coisa? Os homofóbicos destilam ódio e a parada passa!
Para quem não saiba, é a história de Arnold, uma drag-queen, e divide-se em três momentos-chave da sua vida: a sua relação com um homem bissexual que o deixa por uma mulher; o luto por um homem mais novo com quem adoptou um filho; o confronto com a sua mãe conservadora, com dificuldade em aceitar a homossexualidade do seu filho.
Em Portugal o filme estreou em 1991 e foi quando eu o vi, tendo logo conquistado o meu coração. Talvez por isso, foi com algum receio que fui ver esta versão portuguesa, transformada em monólogo. Mas os meus receios foram infundados.
Voltando a Peter Pina, a sua encenação é simples, com cores fortes e uma certa religiosidade que lhe assenta bem. Quanto a Pina, a sua interpretação é uma “tour-de-force”, especialmente brilhante na sequência em que recorda uma conversa com a sua mãe. O palco é dele e ele enche-o com alma e coração, sendo uma pena que a peça não esteja mais tempo em exibição. Se voltar aos nossos palcos não a percam!
Elenco: Peter Pina
Equipa Criativa: Encenação: Peter Pina • Texto: Harvey Fierstein • Tradução e Adaptação: Peter Pina • Assistente de Encenação: Susana Oliveira • Design e Grafismo: Sanny • Produção: Peter Pina e Beatriz Nabais
Antigamente o termo utilizado era “hermafrodita”, que caiu em desuso e é considerado ofensivo. Este termo teve origem numa numa história da mitologia grega: “Hermafrodito, filho de Hermes e Afrodite, ao resistir à ninfa Salmacis, teve o seu corpo fundido com o dela num lago, resultando num ser andrógino — homem e mulher numa só natureza.”
Depois da “lição didáctica” vamos ao filme!
Esta nova versão de um filme espanhol de 1972, que foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, conta-nos a história de Adela. Uma jovem mulher, que sempre sentiu que havia algo de estranho com ela; um dia, contra a vontade da sua mãe, consulta um ginecologista e descobre que nasceu intersexo, que a sua família optou por ela ser do sexo feminino e esconder-lhe esse facto. Revoltada, procura uma nova vida e tentar aceitar-se a si própria.
Acredito que, em 1972 esta história deve ter causado bastante polémica, hoje duvido que o faça. O realizador dá-nos um retrato carinhoso, talvez demasiado simplicista, sobre uma pessoa a tentar descobrir qual a sua verdadeira identidade. É fácil criar empatia com Adela e antipatia com a sua mãe, mas a sua relação nunca chega a ser devidamente dramatizada e o filme perde um pouco por isso. Depois, a interessante galeria de personagens queer que rodeiam Adela, incluindo um padre muito sexy (Paco León) e um interesse amoroso (Anna Castillo), é toda muito positiva… ou seja, gostaria que o filme fosse mais dramático, mas mesmo assim gostei.
No papel principal, Elisabeth Martínez (que, tal como a sua personagem, também é intersexual) tem aqui a sua estreia cinematográfica e vai bem no seu papel. O restante elenco, tem o talento e a naturalidade a que os actores espanhóis nos habituaram.
Um filme interessante, sobre um assunto raramente abordado.
Classificação: 6 (de 1 a 10)
Tal como na peça anterior, estamos perante uma explosão energética e imersiva, que transcende as encenações convencionais, convidando-nos à participação, mas sem forçar nada. A maluquice é muita, com música, dança, saltos e, penso eu, com muito improviso à mistura; o resultado é que saímos do teatro bem-dispostos e a sentirmo-nos muito “eléctricos”.
Os quatro actores em cena, devem ter tomado um Red Bull antes de entrarem em palco. A sua energia é infinita e o seu humor facilmente nos conquista. Presente numa vídeo-entrevista do AVÓ MAGNÉTICA, Alex Azevedo tem agora uma simpática presença em palco. Margarida Cardeal e Pedro Sousa Loureiro aka Feathering são completamente loucos e eu adoro isso. Em quase estilo “diva” da Motown, Bárbara Wahnon foi, para mim, uma agradável surpresa e presenteia-nos com um dos momentos altos do espectáculo, a sua canção “Dialetos de Amor”, que julgo ser também de sua autoria.
Acredito que já todos tivemos amores de Verão, e, tenham estes ou não, é sempre bom recordar as coisas boas que eles nos proporcionaram. Ao assistir à peça, no meu caso, houve uma memória que me veio à mente. Devia ter para aí vinte e poucos anos, fui acampar sozinho para Peniche e o meu caminho cruzou-se com um moço estrangeiro de nome Mario. Com muita pena minha, não fizemos nada mais que trocar uns beijos e ele teve de partir no dia seguinte. Mas antes de se ir embora, ainda deixou um bilhete romântico na minha tenda, o qual reproduzo aqui:
“Love comes from the most unexpected places; from someone’s eyes you’ve never met, who wants to get to know you; from someone’s smile you can’t forget, that makes your heartbeat drummed like a train, that gives you warm feelings and an excited mood.
Hope to see you, really do.
Kiss from Mario”
Infelizmente naquele tempo não havia internet e nunca mais soube nada dele.
Voltando à peça, a sua boa disposição e espírito de liberdade merecem ser vividos pelo público e espero que a chamada comunidade queer lhe dê a atenção que merece.
Elenco: Alex Azevedo, Bárbara Wahnon, Margarida Cardeal, Pedro Sousa Loureiro aka Feathering, Thomas Attar
Equipa Criativa: Criação, Produção e Realização: Pedro Sousa Loureiro aka Feathering • Texto: Miguel Stichini e Pedro Sousa Loureiro aka Feathering • Música Original: Thomas Attar • Participação em Video: Miguel Stichini • Fotografia: Alípio Padilha e Luísa Martins • Desenho de Luz: Miguel Cruz • Operação de Som: Érica Arce • Operação de Luz: Miguel Gregório
Fotografia: Alípio Padilha
Partindo do princípio que os factos retractados no filme correspondem à verdade, é curioso perceber de onde veio a sua inspiração para os personagens principais do seu “Dom Quixote”. Mas, para mim, o mais interessante é a história de amor/atracção entre Cervantes e o Pachá (um muito jeitoso e sexy Alessandro Borghi) e a forma sensual como evolui; não fazia a mínima ideia de que Cervantes era gay ou pelo menos bissexual. Na verdade, o filme tem uma atmosfera muito queer, revelando-nos uma cidade argelina onde o sexo flui sem tabus. É também interessante ver como a sombra da religião católica se faz sentir e não de forma muito positiva.
Classificação: 6 (de 1 a 10)
A história desenrola-se com sensibilidade, apontamentos de humor e, lá mais para o final, algumas lágrimas emocionais. Sabe bem ver um filme destes que fala sem medos de ser-se gay, e que o faz com grande respeito e carinho. Saí do cinema com o coração cheio. A não perder!
Classificação: 8 (de 1 a 10)
Colin é um homem gay, tímido e um pouco inocente, que um dia conhece Ray, um motoqueiro giraço que se interessa por ele e o torna o seu “escravo”. Nasce assim uma relação de poder e submissão entre os dois.
Não, “pillion” não é uma prática sexual, é o nome dado ao lugar de trás (ou do pendura) das motos; lugar que no filme é ocupado por Colin. Mas não se preocupem, há diversas práticas sexuais e bem explícitas neste drama gay, onde um homem se deixa subjugar por outro, num jogo sado-maso que poderá deixar algumas pessoas desconfortáveis. Diria que é um filme forte, corajoso, que julgo não deixará ninguém indiferente.
Nos papéis principais, Harry Melling (que entrou nos Harry Potters) é uma revelação como Colin e Alexander Skarsgård é um deus sexual capaz de despertar o guloso que há em nós.
Decididamente, não é um filme para mentes fechadas.
Classificação: 6 (de 1 a 10)