Num cenário simples, repleto de referências visuais dos anos 80/90, André fala-nos do que o ligava ao cinema de terror, de como se relacionava com os seus colegas, da sua necessidade de fazer parte de um grupo de amigos, de como descobriu que o humor o podia ajudar na sua vida social, a descoberta dos musicais e do mundo do teatro. Tudo isto é feito com honestidade e humor.
Excertos de diversos filmes vão pontuando a noite, com especial relevo para os filmes da série PESADELO EM ELM STREET. Receio que uma importante referência cinéfila passe despercebida ao público em geral e talvez André devesse chamar a atenção para a mesma; refiro-me à cena do filme A CORDA de Alfred Hithcock, onde dois homens estrangulam outro, esses dois homens são um suposto casal gay e um dos actores, Farley Granger, também era gay na vida real. Também temos alguns momentos musicais, que foi onde eu achei que André se entrega mais.
Tenho que confessar que me revi em muitas das coisas porque André passou; no meu caso nos anos 70/80. Talvez por isso, ia à espera de que o espectáculo tivesse uma forte componente emocional, mas não a senti e também achei que André falha (talvez por opção) em criar empatia com nós o público, mas consegue entreter-nos durante 90 minutos e nem dei pelo tempo passar.
Infelizmente, apesar de tudo o que já se conquistou em termos de direitos LGBT+, fazer uma peça destas, em que um actor expõe a sua sexualidade sem vergonha, ainda é um acto de coragem. Recentemente assisti a isso em ODE AOS MEUS HOMENS com Rafael Diaz Costa e agora foi a vez de André Murraças. Parabéns pela coragem!
Elenco: André Murraças
Equipa Criativa: Encenação, Texto, Cenografia, Genéricos e Grafismos Video: André Murraças • Video: Três Vinténs • Fotografia: André Murraças, Matilde Fernandes e Nicole Sánchez • Apoio Cenográfico: Cândida Maria • Produção Executiva: Nicole Sánchez • Produção: Canário Bonacheirão
Fotos: Leonardo Negrão



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