Etiquetas

Mostrar mensagens com a etiqueta P. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta P. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 10 de março de 2026

PILLION de Harry Lighton

Colin é um homem gay, tímido e um pouco inocente, que um dia conhece Ray, um motoqueiro giraço que se interessa por ele e o torna o seu “escravo”. Nasce assim uma relação de poder e submissão entre os dois.

Não, “pillion” não é uma prática sexual, é o nome dado ao lugar de trás (ou do pendura) das motos; lugar que no filme é ocupado por Colin. Mas não se preocupem, há diversas práticas sexuais e bem explícitas neste drama gay, onde um homem se deixa subjugar por outro, num jogo sado-maso que poderá deixar algumas pessoas desconfortáveis. Diria que é um filme forte, corajoso, que julgo não deixará ninguém indiferente. 

Nos papéis principais, Harry Melling (que entrou nos Harry Potters) é uma revelação como Colin e Alexander Skarsgård é um deus sexual capaz de despertar o guloso que há em nós. 

Decididamente, não é um filme para mentes fechadas.

Classificação: 6 (de 1 a 10)










sábado, 4 de outubro de 2025

PLAINCLOTHES de Carmen Emmi

Lucas é um jovem polícia destacado para, à paisana, atrair gays no wc de um centro comercial e depois prender quem caia na armadilha. Um dia cruza-se com Andrew, por quem sente uma grande atracção e não é capaz de o denunciar; este deixa-lhe o seu contacto e em breve os dois voltam a encontrar-se, iniciando algo que vai mudar a vida de ambos para sempre.

Ao escolher um formato de imagem quadrado, o realizador Carmen Emmi imprime ao filme uma atmosfera claustrofóbica que serve na perfeição o estado emocional do seu jovem protagonista, preso numa vida que não o satisfaz tanto a nível pessoal como profissional. Depois, o uso de imagens sobrepostas, quase de arquivo, que ao princípio pode parecer um pouco pretensioso, tem ligação directa com o estado psicológico do polícia. 

O argumento, também de Emmi, está bem construído, sem cair em clichés ou lamechices, sempre pontuado com algum humor e carregado de tensão; com personagens bem construídas e com uma ou duas surpresas na manga.

O ponto forte do filme é, sem sombra de dúvida, a química sexual entre Tom Blyth (Lucas) e Russell Tovey (Andrew), que aquece qualquer um. Ambos os actores estão óptimos nos seus papéis e não podiam ser mais credíveis na sua paixão. No papel da mãe de Lucas, Maria Dizzia vai muito bem e a sua última expressão diz tudo e, quase só por si, justifica a visão do filme. Mas não vão querer perder a paixão quente entre Blyth e Tovey.

Tudo indica que o filme em breve estará disponível na plataforma de streaming Filmin.

Classificação: 7 (de 1 a 10)






quinta-feira, 3 de novembro de 2022

FOGO-FÁTUO VS PETER VON KANT

É muito raro termos nos nossos cinemas filmes de temática LGBT+, pelo que é de louvar, independentemente da sua qualidade, a estreia de dois títulos nas últimas semanas. Um deles é português, FOGO-FÁTUO, e o outro uma co-produção francesa/belga, PETER VON KANT.

O primeiro conta de forma humorística a história de um jovem monarca português que quer ser bombeiro e que se apaixona por um colega seu de cor. O segundo é uma encenação teatral inspirada na obra de Rainer Werner Fassbinder, onde um realizador quarentão se apaixona por um jovem de etnia árabe. Ambos os filmes nos falam de amor, aquele sentimento que tantos de nós procuramos, com resultados muito variáveis e capazes de alterar para sempre as nossas vidas.

Confesso que fui ver o FOGO-FÁTUO de João Pedro Rodrigues (lembram-se de O FANTASMA?) sem estar a par que se baseava livremente em factos da nossa sociedade e, como tal, não percebi muito bem a piada da coisa. Depois de saber o que estava por detrás já lhe achei alguma piada, mas não a suficiente para gostar do filme. Os seus números musicais são demasiado artificias (o assustador número ao início com criancinhas fez-me temer o pior), na realidade tudo é propositadamente demasiado artificial e teatral e não gostei disso. Mas não desgostei de ver as pilas e a cena de sexo tem a sua graça.

Teatral é também o filme de François Ozon, PETER VON KANT. Começa com a abertura das cortinas de uma janela e termina com o encerramento das mesmas, mas não é artificial. Os seus personagens são maiores que a vida e é com gosto que assisti à forma como interagem entre si, prendendo-nos nos diálogos teatrais, pontuados com humor e defendidos com paixão pelo excelente elenco. Uma sentida homenagem ao cinema de Fassbinder (infelizmente não vi o seu AS LÁGRIMAS AMARGAS DE PETRA VON KANT), com a presença as sua actriz fetiche, Hanna Schygulla. Mas de quem eu mais gostei foi de Stefan Crepon como Karl, o criado/escravo do realizador... e a Isabelle Adjani está óptima.

Quando estreiam filmes desta temática nos nossos cinemas, acho que a “comunidade” LGBT+ tem o dever de ir vê-los, de forma que os distribuidores percebam que há público para os mesmos e assim nos dêem mais filmes do género.


FOFO-FÁTUO de José Pedro Rodrigues - Classificação: 3 (de 1 a 10)

PETER VON KANT de François Ozon - Classificação: 7 (de 1 a 10)









segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

THE PROM de Ryan Murphy

A História: Um grupo de actores da Broadway, a quem a carreira não corre muito bem, decidem ir até a uma pequena cidade de Indiana, para darem apoio a uma jovem estudante, Emma, que levar a sua namorada ao “prom”. A ideia é que esse gesto lhes traga boa publicidade, uma vez lá percebem que as coisas não vão ser assim tão fáceis. Entretanto, Emma tem que enfrentar alguns problemas.

O Filme: Infelizmente, não vi o musical da Broadway, mas tenho ouvido com alguma frequência a agradável gravação do elenco original desde que esta foi editada. Assim, estava ansioso por ver esta adaptação cinematográfica e acho que o realizador Ryan Murphy se saiu muito bem.

 

Estamos perante uma agradável comédia musical com um grande coração e muita cor! Nas mãos de Murphy, a acção flui naturalmente e os números musicais nunca parecem forçados. Ele nutre carinho pelos seus personagens e dá a todos um momento para poderem brilhar. Murphy também aborda alguns temas LGBT+ sem parecer moralista, fazendo-o com humor e sensibilidade. Não se admirem se derramarem algumas lágrimas, pois a história de Emma é universal, emocional e tem a capacidade de tocar corações sensíveis.

 

O elenco é muito bom! Meryl Streep não podia ser melhor como a Broadway Diva, com um ego do tamanho do mundo e, como sempre, rouba todas as cenas em que aparece. Como os seus colegas de profissão, James Corden é um doce, Nicole Kidman é uma frágil e sensual corista e Andrew Rannells é um irritante, mas divertido, ex-estudante da famosa Juilliard. Como o jovem casal lésbico, tanto Jo Ellen Pellman e Ariana DeBose são boas, mas às vezes Pellman sorri demasiado e gostava que DeBose cantasse mais. Uma última palavra para Keegan-Michael Key, que dá coração ao director da escola, que é apaixonado por musicais, e para Kerry Washington como a intolerante mãe de Alyssa.

 

Como já disse, gosto da partitura deste musical da autoria de Matthew Sklar & Chad Beguelin, o qual tem várias boas canções. Meryl Streep aproveita ao máximo os seus dois grandes números “It’s Not About Me” e “The Lady’s Improving” , Nicole Kidman dá-nos o seu  “Zazz” em estilo sensual, James Corden desabrocha com “Barry is Going to Prom”, Andrew Rannels diverte-se com “Love Thy Neighbor” e Keegan-Michael Key dá-nos a palavra final em canções de apaixonados por teatro “We Look to You”. Jo Ellen Pellman é um doce com as suas baladas “You Happened”, “Dance with You” e “Unruly Heart” (que se pode vir a tornar um hino LGBT). Para terminar, temos dois números contagiosos: “Tonight Belongs to You” e “It’s Time to Dance”.


Não posso afirmar que este é um grande filme musical, mas faz-nos querer dançar e coloca um sorriso nos nossos corações! É pura diversão e o mundo necessita de mais musicais como este!

 

Classificação: 7 (de 1 a 10)






quarta-feira, 23 de setembro de 2020

EL PRINCIPE de Sebastián Muñoz


A História:
 Após cometer um crime, Jaime vai para a prisão, onde acaba por ficar sob a proteção de um homem mais velho e ganha a alcunha de o Princípe. Em flashbacks vamos sabendo o que o levou ao crime; na prisão, ele vai assumindo a sua homossexualidade, entre desejos, ciúmes, invejas e violência. 

 

O Filme: Para a sua estreia como realizador de filmes de ficção, Sebastián Muñoz decidiu adaptar uma novela “barata” de Mario Cruz, num estilo homoerótico que nos leva ao cinema crú dos anos 70, fazendo por vezes lembrar o universo do realizador Rainer Werner Fassbinder. Curiosamente, no pequeno discurso a que tivemos direito no Queer Lisboa, antes de começar o filme, falou-se da obra de Jean Genet, de quem Fassbinder adaptou o famoso QUERELLE.


Juan Carlos Maldonado dá vida a Jaime, um bem parecido jovem que sabe que é giro e que tem dificuldades em relacionar-se com os outros. Não é um personagem por quem possamos sentir empatia, mas mesmo assim sentimos alguma preocupação com o seu futuro e a cena da sua “violação” é dura. No papel do seu “protector”, o veterano Alfredo Castro dá-nos um personagem resignado com o seu destino e que sabe como tirar proveito da sua posição.


Corpos nús e cenas de sexo explicito vão colorindo o ecrã, sem tabus e sem problemas de mostrar ereções, tudo misturado com violência e uma “sujidade” pegajosa que parece pegar-se a nós. No meio de tudo isto ainda será possível existir uma história de amor? Não diria que estamos perante um retrato muito realista da vida nas prisões, mas sim uma versão homoerótica violenta e por vezes sexy. É um filme forte e duro! 

 

Classificação: 6 (de 1 a 10)






domingo, 19 de maio de 2019

AGRADAR, AMAR E CORRER DEPRESSA (Plaire, Aimer et Courir Vite) de Christophe Honoré

A História: Jaqcues, um escritor de meia-idade infectado com HIV, e Arthur, um jovem estudante, conhecem-se por acidente e apaixonam-se. Mas Jacques, que sente que a sua vida tem os dias contados, tem medo de aceitar o amor de Arthur.

O Filme: O realizador e argumentista Christophe Honoré leva-nos de volta aos anos 90 para nos contar uma história dramática de como era viver com o HIV nesses tempos. Os seus personagens parecem perdidos nas suas vidas, que por acaso não são muito interessantes. A acção arrasta-se por mais de duas horas e não havia necessidade. 

Para mim, o filme ganhava se fosse mais curto e se não perdesse tempo com algumas personagens e cenas que pouco adiantam à história, como por exemplo as duas cenas no cemitério. Na verdade, o filme é por vezes pretensioso, com algumas tiradas intelecto/culturais (o túmulo do François Truffaut) ou a explicação dos vários tipos de homens...

Sexo não há muito, mas os actores Pierre Deladonchamps (do DESCONHECIDO DO LAGO) e Vincent Lacoste tem química e estão à vontade nas trocas de beijos. Mas as melhores cenas são entre Deladonchamps e Clément Métayer como Pierre, o ex de Jacques em estado avançado da doença; para mim. Este personagem é o melhor do filme e gostava de ter visto mais dele.

O filme não é mau e retrata um assunto que não deve ser esquecido, sem palavrinhas mansas e sem moralismos. Mas podia ser tão “mais melhor bom”!

Classificação: 4 (de 1 a 10)



sábado, 27 de fevereiro de 2016

FLOATING SKYSCRAPERS (PLYNACE WIEZOWCE) by Tomasz Wasilewski

The Plot: Kuba (Mateusz Banasiuk) is a professional swimmer who discovers his homosexuality and falls in love with Michal (Bartosz Gelner). His girlfriend Sylwia (Marta Nieradkiewicz) don’t want to let go of him, even if that makes both unhappy.

The cast: Mateusz Banasiuk is a sexy hot guy and delivers the goods as Kuba. At his side, Bartosz Gelner is truthful as the delicate sweet Michal and Marta Nieradkiewicz is as irritating as her character should be.

The Movie: When a 93 minutes movie feels like a two hour one, it isn’t a good sign. But that’s what happens here. Director Tomasz Wasilewski seems to be so in love with Mateusz Banasiuk naked body and face that his camera lingers on him for long moments. Unfortunately, although Banasiuk is good to look at, that doesn’t help the story. It gives the movie a slow pace that turns what could have been an intense gay drama into a boring one. The idea that the girlfriend wants him no matter what could have been dramatically more explored and it should make us hate her. Anyway, it has its moments; the two guys real connect and make us believe in their passion.

My Rate: 3 (from 1 to 10)