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terça-feira, 12 de março de 2024

CULPADO - INOCENTE - MONSTRO (Kaibutsu / Monster) de Kore-eda Hirokazu

A História: Uma mãe procura respostas que justifiquem o comportamento estranho do seu filho Minato, que tudo indica ser vítima de actos de violência por parte de um dos seus professores

O Elenco: Sakura Andô é muito boa como a mãe preocupada e Eita Nagyama vai muito bem como o professor suspeito. Mas o filme pertence, por direito, a Soya Kurokawa como Minato e Hinata Hiiragi como seu amigo Yori.

O Pior do Filme: O facto de poder passar despercebido nos nossos cinemas e poder ser ignorado pela comunidade Queer.

O Melhor do Filme: A cena na sala de música entre Minato e a diretora da escola é um momento comovente e cheio de significado, que culmina com a frase “If only some people can have it, that’s not happiness. That’s just nonsense. Happiness is something anyone can have” (Se apenas algumas pessoas a podem ter, então não é felicidade. É apenas um disparate. Felicidade é algo que todos podem ter.)

Veredicto Final: O argumento da autoria de Yûji Sakamoto, justamente premiado com o prémio de Cannes nessa categoria, está muito bem construído, mostrando-nos três perspectivas da mesma história. Primeiro (CULPADO) pelo lado de uma mãe preocupada que condena um professor; segundo (INOCENTE) pelo lado de um professor culpado de algo de que provavelmente não tem culpa; terceiro (MONSTRO) pelo lado de uma criança que sente que não é igual aos outros. Pegando nestas três perspectivas, o realizador Kore-eda Hirokazu dá-nos um drama humano com tons de thriller, que nos cativa, sensibiliza e, por vezes, nos comove.

O facto do filme ter ganho em Cannes a Queer Palm, revela que no seu âmago estamos perante uma história sobre a descoberta de sentimentos supostamente pouco normais, que leva a que os miúdos achem que possam ser uns monstros. Mas é uma bonita história sobre amizade e aprendermos a ser quem somos. Recomendo.

Classificação: 7 (de 1 a 10)










segunda-feira, 25 de março de 2019

UMA CRIANÇA COMO JAKE (A Kid Like Jake) de Silas Howard

A História: Um casal, aparentemente feliz, vê-se confrontados com a possibilidade do seu filho de 4 anos poder vir a ser um transexual. Isto ao mesmo tempo que tentam encontrar a escola certa para o puto.

O Filme: Como seria a vossa reacção se o vosso filho ou filha demonstra-se desde tenra idade que preferia ser do sexo inverso do seu? Acredito, que não seja uma situação fácil de viver, por muito mente aberta que os pais possam ter. É esse o assunto de base deste drama, onde a personagem do miúdo é praticamente secundária, sendo, no entanto, ela a razão de tudo o que acontece.
É um tema actual que, nos últimos anos, tem sido muito falado nos media e que causa confusão a muita gente. Alguém que é transexual não tem que ser necessariamente homossexual; são duas coisas distintas e esta implica uma possível transformação física. 
O realizador Silas Howard aborda o assunto pela perspectiva dos pais, adaptando ao cinema a peça de teatro de Daniel Pearle, que é o responsável pelo argumento do filme, mas fá-lo de uma forma muito séria, pesada. Um pouco mais de humor, tornaria o ambiente mais leve e, talvez, mas cativante para nós espectadores. Na minha humilde opinião, sinto que o filme poderia ter ido mais longe e podia ter mexido mais com as nossas emoções. O assunto é sem dúvida fascinante, mas gostava também de ter visto o lado do pequeno Jake, mas isso seria outro filme, certo?
Como os pais, Claire Danes é toda ela emoção, dor e cegueira; quanto a Jim Parsons, é contido e demonstra uma mente mais aberta (enganem-se os que pensam que vão ver a personagem que ele criou no THE BIG BANG THEORY). Num papel secundário, Octavia Spencer é excelente como a compreensiva professora que percebe a luta interior do pequeno Jake.
Se gostam de dramas e boas interpretações, vão apreciar este filme. Pessoalmente, acho que com um pouco de humor é mais fácil mudar a opinião das pessoas.

Classificação: 6 (de 1 a 10)



terça-feira, 26 de dezembro de 2017

KING COBRA de Justin Kelly

A História: Graças ao produtor Stephen, o jovem Sean transforma-se com grande êxito em Brent Corrigan, uma nova estrela do cinema porno gay. As coisas entre os dois não correm bem e Brent tenta quebrar o contrato assinado com Stephen. Ao mesmo tempo Joe, outro produtor, quer transformar o seu namorado Harlow numa estrela; para isso precisa que este faça um filme com Brent, custe o que custar.

O Filme: Retrato negro dos bastidores do cinema porno-gay, baseado numa história verídica e com banda sonora igual às produções que retrata. Havia aqui material para um bom filme, mas falta-lhe dramatismo e, principalmente, uma melhor direcção de actores.
Apesar de haver um fio condutor, a realização de Justin Kelly (o mesmo de I AM MICHAEL) parece ser feita de cenas soltas, sem uma continuidade que as una de forma a transformaram-se num verdadeiro drama. A nenhum dos personagens é dada grande densidade psicológica, sendo pouco mais que esboços a necessitarem de serem preenchidos com emoção e vida.
As interpretações do elenco estão, com excepção de Christian Slater como Stephen, ao nível das dos filmes porno-gay. No papel de Brent, Garrett Clayton é um menino bonito, irritante, arrogante e vazio. É de louvar o apoio que James Franco tem dado ao cinema gay, mas o seu Joe é forçado, por vezes gratuito. Como o seu amante, Keegan Allen parece estar pouco à vontade, mas isso também pode ter tudo a haver com o personagem transtornado que interpreta. Voltando a Christian Slater, este consegue dar alguma dignidade ao seu papel e o seu desejo por meninos mais novos é palpável. Molly Ringwald e Alicia Silverstone são as secundárias presenças femininas.
Os corpos desnudados dos actores ornamentam a acção, com alguns momentos mais quentes para nos manter entretidos, mas tudo ao nível do mais “limpinho” softcore. Senti que este filme foi uma oportunidade perdida de nos dar uma visão negra e dramática do que se passa por detrás das câmaras do cinema porno.

Classificação: 4 (de 1 a 10)




quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

KABOOM – ALUCINAÇÃO (Kaboom) de Gregg Araki

Smith é um jovem bissexual (mais a dar para o gay) que anda na universidade e começa a ter estranhos sonhos. Numa festa conhece por acidente algumas das pessoas que aparecem nesses sonhos e as coisas começam a tornar-se muito estranhas e mesmo perigosas. Talvez o fim do mundo esteja a chegar – Kaboom.

Há uns anos atrás estreou por cá o filme MYSTERIOUS SKIN realizado por Gregg Araki  e era um excelente drama forte, crú e muito emocional. Nenhum destes adjectivos se pode aplicar a este seu novo filme. Os personagens são estúpidos, o humor é de baixo nível (se bem que ainda soltei uma ou duas gargalhadas), o sexo abunda mas nunca choca, as cores são fortes e, pecado capital, não nutri qualquer interesse pela história e o filme acaba por se tornar chato. Dá-me a ideia que Araki se divertiu a fazer este filme experimental, infelizmente essa diversão não nos é transmitida. Quanto ao elenco, Thomas Dekker, que faz de Smith, é um jovem bonitinho e de olho azul, bem os jovens (eles e elas) são quase todos muito bonitinhos; a única veterana é Kelly Lynch, que faz de mãe de Smith, mas que tanto podia ser ela como qualquer outra actriz. Classificação: 2 (de 1 a 10)