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sábado, 27 de dezembro de 2014

ORGULHO (Pride) de Matthew Warchus

Reino Unido 1984. Um grupo londrino de activistas gays e lésbicas, decide fazer um peditório para ajudar os mineiros em greve. O problema é convencer o sindicato dos mineiros a aceitar a sua ajuda.

O vencedor da Queer Palm da edição deste ano do Festival de Cannes não podia ser mais diferente do vencedor do ano passado, O DESCONHECIDO DO LAGO. Dirigido com sensibilidade e humor por Matthew Warchsu, é já um dos filmes do ano.

Baseado em factos verídicos, somos transportados para os excitantes anos 80, época de grandes mudanças, com a ajuda de um delicioso grupo de personagens que depressa nos seduzem com as suas variadas personalidades e acções. Claro que o confronto entre os gays e lésbicas e os mineiros é inevitável, mas Warchus consegue o equilíbrio perfeito entre o drama e a comédia, com alguns momentos verdadeiramente comoventes e outros hilariantes. Tudo isto sem perder o lado realista da história e evitando os clichés a que esta se prestava.

Um excelente elenco de veteranos e novatos dá cor e emoção aos personagens, tornando-os reais e nem por um momento duvidamos das suas motivações (sejam elas boas ou más) e sonhos. Entre estes destacam-se Imelda Staunton, Ben Schnetzer, George MacKay, Jessica Gunning, Paddy Considine, Bill Nighy, Dominic West e Andrew Scott.

Uma das razões pelas quais adoro cinema é pelo poder que tem de me emocionar e este ORGULHO deixou-me muito bem disposto. Uma lufada de ar fresco que merece ser visto por todos: homossexuais, heterossexuais e indecisos. O “feel good” filme do ano! Classificação: 8 (de 1 a 10)


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

OUT IN THE DARK (Alata) de Michael Mayer

Nimr é um estudante palestiniano que tem um passaporte para se poder deslocar duas vezes por semana a Tel Aviv. Roy é um advogado israelita com uma boa carreira em Tel Aviv. Os dois conhecem-se num bar e apaixonam-se, mas a sua relação é assombrada pelo eterno conflito israelo-palestiniano, agravado pelo facto do irmão de Nimr ser terrorista e pela policia israelita tentar chantagear Nimr.

Mais que uma história de amor entre dois homens, este filme mostra um lado mais pessoal do conflito israelo-palestiniano, sem tomar qualquer partido por nenhum dos lados. Mostra também a forma como a homossexualidade é encarada na Palestina, onde ser-se gay é uma vergonha para toda a família, mas ser-se terrorista é perfeitamente aceitável. Culturas diferentes que provavelmente nunca irei entender.

Quanto à relação entre Nimr e Roy é filmada de forma muito casta, quase platónica. Os dois bem parecidos actores, Nicholas Jacob e Michael Aloni, parecem mais amigos do que dois homens apaixonados e capazes de tudo pelo seu amor. Esta falta de química entre os dois prejudica um pouco o filme.

Sem querer revelar muito, o facto do final ficar em aberto a várias interpretações funciona um bocado como anti-clímax. Independentemente disso, é um retrato interessante de uma realidade diferente da nossa, que nos leva a pensar o sortudos que somos em viver numa sociedade mais aberta e tolerante. A maior parte das vezes damos importância a merdas que não interessam nada e devíamos dar mais valor aquilo que temos, em vez de nos estarmos sempre a lamentar.  Classificação: 6 (de 1 a 10)