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quarta-feira, 30 de setembro de 2020

NO HARD FEELINGS (Futur Drei / Wir) de Faraz Shariat

A História: Parvis, é um jovem gay alemão, mas de origem iraniana. Um dia, ao trabalhar num refúgio para emigrantes, conhece Irani e seu irmão Arnon, por quem se apaixona e com quem inicia um romance. Entretanto, a ameaça de deportação paira sobre a cabeça de Irani.

 

O Filme: Como é do conhecimento da maioria de nós, no Irão a homossexualidade ainda é condenável, com consequências graves para quem a pratica, pelo que, infelizmente, presumo que este filme nunca estreará nesse país. 


Faraz Shariat, que tal como o seu personagem Parvis, nasceu na Alemanha e é filho de um casal de exilados iranianos, escolheu para a sua estreia como realizador um drama sobre a emigração. Pontuado com humor, é um retrato por vezes triste de uma realidade cruel, em que jovens cheios de esperança quanto ao seu futuro, vêem a sua vida ameaçada com a deportação. Para complicar as coisas, mesmo fora do Irão, não é fácil lidar com a homossexualidade e o preconceito, não deixando de ser curioso como os pais de Parvis reagem à sua sexualidade.


Para tornar a coisa menos pesada, Shariat não foge do mundo dos bares e dos engates via aplicações, com algum sexo à mistura. Mas nunce se afasta do coração do seu filme, a história de amor e, principalmente, a emigração.


Nos papéis principais, Benny Radjaipour (Parvis), Banafshe Hourmazdi (Banafshe, irmã de Amon) e Eidin Jalali (Amon), são naturais e a amizade entre os três é real. É a forma como a relação deles evolui que nos prende à história, criando uma empatia entre eles e nós que beneficia o lado emocional do filme.

 

Classificação: 6 (de 1 a 10)






quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

WEEKEND de Andrew Haig

Num clube gay, Russell conhece Glen e convida-o para ir a sua casa para uma simples noite de sexo, mas ambos sentem que aquilo pode ser mais. Assim, durante todo o fim-de-semana vão-se conhecendo melhor e acabam por se apaixonar, mesmo sabendo que a sua relação tem um futuro incerto.

Tive o prazer de ver este filme no Festival Queer Lisboa 2012 e no outro dia vi-o à venda na FNAC e achei por bem voltar a falar do mesmo. Em termos de realização é muito simples, com uma abordagem intimista que nos envolve e nos faz desejar que Russell e Glen fiquem juntos para sempre, como costuma acontecer nos contos de fadas. Mas o realizador Andrew Haig tem os pés bem assentes na realidade e, apesar de se perceber que está apaixonado pelos seus personagens, não se deixa levar pelos “rodriguinhos” usuais do cinema romântico.

Nos papéis principais temos dois excelentes actores Tom Cullen (presentemente faz parte do elenco de DOWNTON ABBEY como Anthony Gillingham) e Chris New. A química que estes partilham é tão intensa que sai para fora do ecrã, arrebatando-nos com ele. Nem por um momento duvidamos da sua paixão, nem do drama emocional que ambos estão a viver. Eles fazem-nos acreditar que o amor ainda é possível e que pode ser encontrado onde menos se espera e quando menos se espera.

Isto pode parecer piroso mas, tal como escrevi quando o vi, é um filme honesto que nos faz acreditar que neste mundo ainda há lugar para o amor. Não há muitos filmes capazes disso e talvez por isso tenha ganho tantos prémios em diversos festivais internacionais de cinema. Classificação: 8 (de 1 a 10)