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sábado, 25 de maio de 2024

ESTRANHO AMOR (Stranizza D’Amuri) de Giuseppe Fiorello

Sicília 1982. Algures numa pequena localidade, dois adolescentes apaixonam-se um pelo outro, enfrentando a homofobia e preconceito de todos, incluindo as suas famílias, tentando viver um amor cujo futuro parece estar condenado.

Talvez seja um pouco longo, mas somos facilmente conquistados pela genuína inocência e ingenuidade dos jovens Samuele Segreto e Gabriele Pizzurro como Gianni e Nino. Torcemos pelo seu amor, perante uma sociedade que não só não os aceita, como age com violência perante a situação, como se tivessem medo deste “estranho” amor. Supostamente inspirado num caso real, é um aviso que a homofobia é real e, infelizmente, continua por aí, com tendência para piorar. Vamos ter esperança que histórias como esta possam ter finais felizes.

Classificação: 6 (de 1 a 10)













sexta-feira, 4 de agosto de 2023

SPOILER ALERT de Michael Showalter

Apesar de serem muito diferentes, Michael Ausiello e Kit Cowan apaixonam-se, vivendo os altos e baixos comuns em qualquer relação. Quando Kit é diagnosticado com um cancro terminal tudo muda, menos o amor que sentem um pelo outro.

Considerado uma comédia por alguns (IMDB incluído), para mim é principalmente um drama. A realização e produção fez-me lembrar aqueles telefilmes sobre casos da vida, com tendência para cair na lágrima fácil, algo a que este filme não foge. Desconhecia que era baseado numa história verídica, o que só vem provar que dramas lamechas não são só invenção dos estúdios de Hollywood. Claro que o assunto é sério e, nesse aspecto, a abordagem é feita de forma sensível e com algum humor, mas ao mesmo tempo é tudo demasiado “açucarado” para o meu gosto.

Para que haja envolvimento emocional entre nós e os personagens é necessário haver empatia e aí reside um dos grandes problemas para mim. Nunca simpatizei com Jim Parsons (que faz de Michael Ausiello), é daqueles actores que me causa irritação, a quem não acho piada e, independentemente do seu talento, parece fazer sempre dele próprio. Assim, não consegui sentir empatia pelos dramas pessoais do seu personagem, o que neste caso prejudicou muito a minha ligação com o filme. Ben Aldridge como Kit e Sally Field como a sua mãe vão bem e simpatizei com eles, mas não salvaram o filme para mim.

Seja como for, é de louvar ver uma história de amor gay ser tratada da mesma forma que uma história heterossexual, sem cair nos estereótipos que costumam assombrar o cinema LGBT. Assim sendo, aconselho a visão do filme, o qual  até está muito bem classificado pelo IMDB (7.3).

Classificação: 4 (de 1 a 10)






domingo, 11 de dezembro de 2022

BROS E MAIS DOIS











Quando um dos grandes estúdios de Hollywood, neste caso a Universal, decide apostar numa comédia romântica gay, o pobre desconfia da oferta. A ideia é recuperar o espírito de filmes como WHEN HARRY MET SALLY ou SLEEPLESS IN SEATTLE, mas de uma perspectiva gay e o mais politicamente correcto possível. E assim nasceu BROS – UMA HISTÓRIA DE AMOR.

Assim, reuniram uma equipa e um elenco queer para nos contarem a história do irritante Bobby (Billy Eichner), um gay militante e raivoso com o mundo, e como este conhece Aaron (Luke Macfarlane), um bonzão simpático. O seu antagonismo inicial dá lugar à paixão e, como é normal neste tipo de comédias, vão ter que dar umas “cabeçadas” antes do possível final feliz.

Se os autores do filme, Nicholas Stoller e Billy Eichner, pensaram que iriam conquistar a atenção dos espectadores heterossexuais, saiu-lhes o tiro pela culatra, pois estes não se mostraram muito interessados em ir ver o filme. Mais grave, perante o fraco sucesso de bilheteira, parece-me que nem a comunidade queer abraçou o filme.

Talvez seja demasiado gay para os héteros e pouco para os gays, mas é divertido e goza bem com os filmes do género, aproveitando os clichés dos mesmos dando-lhes um toque gay. A vida gay dos encontros Grindr, da pancada com os corpos perfeitos e as lutas dentro da própria comunidade é retratada com humor, mas podia ter mais graça. Não fugindo aos clichés do cinema gay, os gajos são praticamente todos bonzões e giros, o que foge da realidade, mas faz parte do escape que é o cinema.

Não achei que os actores principais, Billy Eichner e Luke Macfarlane, tivessem grande química, mas a cena final com uma bonita canção é comovente. No restante elenco sobressai Debra Messing a fazer dela própria. 

Infelizmente, não é a grande comédia romântica que estava à espera e, devido ao seu fraco sucesso, duvido que tenha aberto as portas a mais filmes do género produzidos pelos grandes estúdios. Dentro do género, prefiro o  BILLY’S HOLLYWOOD SCREEN KISS com Sean Hayes (o Jack de WILL & GRACE), mas é pena que mesmo por cá poucos o tenham ido ver ao cinema, depois não se queixem que estreiam por cá poucos filmes gay. Classificação: 6 (de 1 a 10)


Mas nem só de BROS vive o cinema queer. Nos serviços de streaming vi recentemente dois novos títulos: FIRE ISLAND (Disney) e THE SCHOOLMASTER GAMES (no Filmin). O primeiro é também uma comédia romântica cheia de gajos bons e muito desnudados, com um grupo de amigos à procura do amor nas festas sexys de Fire Island. Os personagens são todos um pouco irritantes, mas tem os seus momentos, mas não fiquei com vontade de ir a Fire Island.

O outro filme, é uma “pseudo-intelectualice” armada em arte, muito arrastado e chato. Numa escola só para gays, um professor tem uma paixão por um dos alunos, com muita inveja pelo meio e uma galeria de personagens insuportáveis. 

FIRE ISLAND de Andrew Ahn - Classificação: 4 (de 1 a 10)

THE SCHOOLMASTER GAMES (Magisterlekarna) de Ylva Forner - Classificação: 1 (de 1 a 10)

 



quarta-feira, 19 de setembro de 2018

SAUVAGE de Camille Vidal-Naquet

A História: Leo é um jovem prostituo que vende o seu corpo nas ruas, onde também dorme na maioria das noites. Procura o amor de um colega, mas este rejeita-o e diz-lhe que o melhor que lhes pode acontecer é serem “adoptados” por um velho rico. 

O Filme: Não há como os franceses para nos darem filmes gays explícitos, mas sem caírem na pornografia (se bem que um pouco de porno também não faz mal a ninguém). Este drama dá-nos um jovem perdido, entre o sexo e as drogas, sem grande futuro, mas que não parece preocupado com isso. Deseja ser amado e amar, mesmo que o escolhido do seu coração o trate mal. Félix Maritaud é muito convincente no papel.
Ao início achei que o filme não tinha grande assunto e preparei-me para levar uma seca, mas, entretanto, uma história começa a delinear-se e esta prendeu-me a atenção. O realizador Camille Vidal-Naquet dá-nos uma visão realista e suja da vida de prostituto, sem vergonha do sexo, este nem sequer é excitante, é sexo pago, sem moralismos e é isso que torna o filme interessante. Também aprendi algo; não me estou a fazer de inocente, mas desconhecia tal coisa, refiro-me ao líquido que se pode injectar no pénis para, durante o sexo oral, pôr alguém a dormir.
Confesso que este filme me levantou duas questões. A primeira, será que a ternura e o carinho estão sobrevalorizados hoje em dia? Será que perante a hipótese de serem acarinhados, as pessoas preferem ser maltratadas? Num mundo onde as relações são cada vez mais virtuais, talvez seja normal que o carinho passe a segundo plano.
Quanto à segunda questão, tem a ver com a liberdade, com o “selvagem” do título. Leo gosta da vida que tem, sem barreiras ou prisões de qualquer género. Julgo que é isso que o leva a tomar a decisão final, que é previsível.
Em conclusão, acho que a pergunta que devemos fazer a nós próprios é se preferimos ser amados ou ser livres.

Classificação: 6 (de 1 a 10)



segunda-feira, 27 de junho de 2016

TENSIÓN SEXUAL: VOLÁTIL (Sexual Tension: Volatile) by Marco Berger & Marcelo Mónaco


The Plot: Six short stories where the sexual tension is high and hot. In ARI, a boy falls in love with his tattooist. In EL PRIMO (The Cousin), a guy feels sexually attracted to a friend’s cousin who seems to be always with a boner. In EL OTRO (The Other One), a guy explains very physically to a friend how he should fuck his girlfriend. In LOS BRAZOS ROTOS (Broken Arms), a male nurse is hired to give a bath to a man with broken arms. In AMOR (Honey, a guy in vacations with his girlfriend, ends up taking a shower with the sexy innkeeper. In ENTRENAMIENTO (Workout), two muscular friends who train together start to loose clothes and inhibitions in order to send sexy photos to a couple of girls.

The cast: The entire cast acts very naturally and thankfully the majority of the guys don’t look like perfect and clean models; these guys are the real thing and the desire is all in their eyes. The ones who really caught my attention were the sexy Javier De Pietro, as the guy who feels attracted to his friend’s cousin, and the funny Leo Martínez, as the guy who teaches sex moves to his friend. There’s also a very hot Santiago Caamaño as the innkeeper; who would resist to take a shower with him?

The Movie: Directors Marco Berger and Marcelo Mónaco had a good time caressing several male bodies with their cameras, who seem to love them. The humor helps make this intimate voyeur movie enjoyable to see and sometimes we can really feel the heat of the situations. What would we do if we were in those situations? In fact, probably many of us has experienced one or two. The best and more exciting story is EL PRIMO (The Cousin), the funniest EL OTRO (The Other One), the less real ARI, the sillier ENTRENAMIENTO (Workout), the most disturbing LOS BRAZOS ROTOS (Broken Arms) and the less interesting AMOR (Honey), Maybe I’m a sex maniac, but I wish the movie went a little further. But even so, some of the situations aroused my… imagination.

My Rate: 6 (from 1 to 10)