Etiquetas

Mostrar mensagens com a etiqueta D. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta D. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 10 de março de 2026

10 DANÇAS (TEN DANCE) de Keishi Otomo











Shinya Suzuki é especialista em danças latino-americanas (samba, rumba, etc), Shinya Sugiki é especialista em danças clássicas (valsa, fox-trot, etc) e são uma espécie de rivais. Um dia, Sugiki desafia Suzuki para competirem no “10 Danças”, propondo que cada um ensine ao outro (e às suas parceiras) o tipo de dança em que são especialistas. Durante as aulas apaixonam-se um pelo outro.

O universo das danças de salão serve de cenário a uma história de amor contida e o resultado é agradável à vista e ao coração. Nos papéis principais, Ryoma Takeuchi e Keita Machida não podiam ser mais diferentes, um “caliente” o outro “frio”, mas quando dançam juntos o erotismo e a sensualidade transpiram por todos os seus poros e, claro, acabamos a torcer para que o seu amor se concretize. Tudo isto com muita dança e a “pirosice” associada ao universo das danças de salão. Gostei!

Classificação: 6 (de 1 a 10)








sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

DEIXA-TE DE MENTIRAS (Arrête Aves Tes Mensonges) de Olivier Peyon

A História: O escritor Stéphane Belcourt regressa à sua terra natal, Cognac, pela primeira vez em 35 anos. O motivo da sua visita é para promover uma destilaria. Aí conhece Lucas, filho de um colega da sua adolescência por quem teve uma grande paixão e viveu o seu primeiro amor, trazendo-lhe muitas recordações desses anos passados.

O Elenco: Guillaume de Tonquédec dá-nos um Stéphane amorfo que parece despertar para a vida ao conhecer Lucas; no papel deste, o simpático e atraente Victor Belmondo prova que neto de “peixe sabe nadar” (o seu avô é o famoso Jean-Paul Belmondo). Como os adolescentes apaixonados, Jérémy Gillet e Julien De Saint Jean (que é um dos delinquentes do O PARAÍSO) assumem a sua relação primeiro de forma muita física e depois carinhosa, sem vergonha, nem tabus, mas com talento. Uma última palavra para a presença forte de Guilaine Londez como Gaëlle, a responsável pela visita de Stéphane.

O Pior do Filme: Pensando bem, não tenho nada a apontar... não me importava de ter visto mais umas cenas íntimas dos rapazes, mas na verdade também não fazem falta.

O Melhor do Filme: O emocional discurso final de Stéphane, em que este deixa de dizer mentiras.

Veredicto Final: Oliver Peyon dá-nos um comovente filme sobre o primeiro amor, sobre a vergonha de se ser homossexual num meio pequeno e como, por muito que tentemos e nos “forcem”, não conseguimos fugir a quem somos. Peyon filma sem medo de nos mostrar o amor dos dois jovens e a felicidade deles, principalmente do jovem Stéphane, é evidente. A relação que se cria entre o escritor e Lucas é muito bem construída, num crescendo dramático que termina com o discurso final. Um dos melhores filmes de temática gay que tenho visto nos últimos anos. A não perder!

Classificação: 8 (de 1 a 10)



domingo, 28 de janeiro de 2024

DOCE PESAR (Good Grief) de Dan Levy

A História: No Natal, o marido de Marc morre num acidente de carro. Um ano mais tarde Marc descobre que Marc tinha um apartamento em Paris, bem como um amante, e decide fazer uma visita ao mesmo na companhia dos seus dois melhores amigos.

O Elenco: O trio principal de actores (Dan Levy, Ruth Negga e Himesh Patel) é muito irritante e cabe a Celia Imrie, num papel secundário, salvar a “honra do convento”.

O Pior do Filme: É impossível sentir qualquer tipo de empatia com os três personagens principais. São arrogantes, pretenciosos e pedantes!

O Melhor do Filme: As cenas em que Celia Imrie, como a advogada de Marc, aparece.

Veredicto Final: Esta comédia dramática de temática LGBT+ parece um projecto vaidoso do seu argumentista/actor Dan Levy, que se estreia aqui na realização de longas metragens. A história tinha pernas para andar, mas os diálogos forçados, o humor falhado e a falta de química entre todos (para já não falar do constante sorriso condescendente de Levy) fizeram-me perder o interesse. Não é péssimo, nem propriamente chato, mas ficou longe de me conquistar. Eu sei que são poucos os filmes LGBT+ que chegam por cá, mas isso não faz com este seja bom.

Classificação: 3 (de 1 a 10)



domingo, 8 de novembro de 2020

LA DEA FORTUNA de Ferzan Ozpetek

A História: Arturo e Alessandro são um casal gay que está junto faz já quinze anos e cuja relação está a passar por um período complicado. Annamaria é a melhor amiga de Alessandro e é também uma mãe solteira a lidar com um problema grave de saúde, o que a leva a pedir a eles que tomem contem dos seus filhos por uns dias.

 

O Filme: Há dez anos atrás estreou por cá uma engraçada comédia gay italiana com o título UMA FAMÍLIA MODERNA (Mine Vaganti). Agora, no âmbito da Festa do Cinema Italiano, tive a oportunidade de ver o último filme do mesmo realizador, Ferzan Ozpetek.


O registo escolhido é a comédia dramática, com um ligeiro toque de terror (mais não conto), que nos faz rir com o seu bom sentido de humor, que por vezes nos comove com os seus personagens e que nos conta uma história interessante, que consegue evitar a lamechice a que se prestava. É talvez um pouco ligeira na forma como toca alguns assuntos sérios, como o adultério e doenças graves, mas são tratados com sensibilidade e humor.


No elenco, dois gajos bons, Stefano Accorsi e Edoardo Leo, dão vida ao casal gay e fazem-no muito bem; a química entre os dois é verdadeira, bem como a empatia entre eles e as duas crianças, Sara Ciocca (com uns olhos fabulosos) e Edoardo Brandi (um puto doce). Como Annamaria, a bonita Jasmine Trinca dá um brilho especial à sua personagem. Este excelente quinteto de actores, está bem rodeado por um notável grupo de secundários.


Pode não ser um grande filme, mas gostei muito e soube-me bem “viver” a vida dos personagens por cerca de duas horas bem passadas.

 

Classificação: 7 (de 1 a 10)






terça-feira, 26 de abril de 2016

À DISTÂNCIA (Desde Allá / From Afar) de Lorenzo Vigas

(“scroll down” to read the review in English)

A História: Armando (Alfredo Costa), um cinquentão bem na vida, engata jovens masculinos a quem paga para lhe mostrarem os seus corpos. Elder (Luis Silva), um desses jovens, vai a sua casa por dinheiro e acaba por lhe bater e fugir. Por motivos desconhecidos, Armando vai à sua procura e uma estranha ligação cria-se entre os dois.

O Elenco: Alfredo Costa é plausível no papel de Armando, um homem quase patético, que observa à distância em vez de tomar parte das coisas. Por exemplo, ele prefere masturbar-se a olhar para os corpos desnudados dos rapazes em vez de lhes pagar para lhes poder tocar ou mesmo fazer sexo com eles. Como Elder, Luis Silva parece mesmo um rapaz “do lado errado” das ruas de Venezuela; ele é violento, mas é também alguém que não sabe o que é o amor e que nunca foi tratado com carinho.

O Filme: Para a sua estreia na realização, Lorenzo Vigas dá-nos um surpreendente filme sobre manipulação. O ritmo é lento; os diálogos são escassos; os personagens não são simpáticos; mas sentimos que algo de estranho se passa e que nem tudo é exactamente aquilo que parece. Vigas constrói a relação entre Armando e Elder sem qualquer tipo de química, mais como um jogo de poder, onde o sexo é a moeda corrente. É também um filme sobre a destruição da inocência de um jovem e ingénuo criminoso. Não vos posso dizer muito mais, mas o final apanhou-me de surpresa e este é um daqueles filmes que nos faz pensar. Só no final é que eu percebi porque é que este drama gay ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza em 2015 (sim, este filme chega até nós com alguns anos de atraso).


Classificação: 6 (de 1 a 10)

The Plot: Armando (Alfredo Costa), a wealthy 60 years old man, cruises young men and pays them to show him their naked bodies. Elder (Luis Silva), one of those young men, goes to his house for the money and than hits him and runs away. For some unknown reason, Armando goes looking for him and a strange relationship develops between the two.

The cast: Alfredo Costa convincingly plays the role of Armando as an almost pathetic lonely man, who watches from afar instead of taking part of it. For example, he prefers to masturbate looking at the naked bodies of young men instead of paying to touch or have sex with them. As Elder, Luis Silva looks like a real boy from the wrong side of the streets of Venezuela; he is violent, but he is also someone who doesn’t know what love is and who have never been treated with care.

The Movie: For his directorial debut, Lorenzo Vigas delivers a startling movie about manipulation. The pace is slow; there aren’t many dialogues; the characters aren’t nice; but there’s a feeling that something strange is going on and that things aren’t exactly what they appear to be. Vigas builds the relationship between Alfred and Elder without any kind of chemistry, more like a game of power where sex is the main currency. It’s also a movie about the destruction of the innocence of a naïve young criminal. I can’t tell you much more, but the end took me by surprise and it’s one of those movies that will make you think. By the end, I understood why this gay drama won last year’s Golden Lion at the Venice Film Festival.

My Rate: 6 (from 1 to 10)





domingo, 3 de janeiro de 2016

THE DANISH GIRL / A RAPARIGA DINAMARQUESA – Tom Hooper

(“scroll down” para ler a crítica em português)

THE DANISH GIRL by Tom Hooper

The Plot: Copenhagen in the 20s. Gerda (Alicia Vikander) and Einar (Eddie Redmayne) are a young and happy couple of artists. One day, while modeling for his wife, Einar gets in touch with the woman inside him and things change forever. With the support of Gerda, Einar will try to be the woman he feels he is.

The Best: The scene where Einar undresses in front of a mirror and hides his manhood to become a woman. The beautifully poetic last scene.

The Worst: I feel director Tom Hooper should have given the story more conflict; everything is too light and pretty. In fact, visually, the film is very beautiful to watch, but also a little bit too long.

The cast: It’s true, I’m not very fond of Eddie Redmayne; his mannerisms are a little irritating. Anyway, his usual androgynous looks are a match for the character of Einar/Lili and I think he delivers his best work to date. But for me, Alicia Vikander gives the best performance of the movie; she is touching, funny, passionate and real.

The Movie: I know the main subject is suppose to be the story of the first transgender in History, but for me the main subject it’s the love his wife feels for him. The character of Gerda is much more rich and interesting. We can feel her pain and her confusion. She loves him so much that, even knowing she will loose him in the process, she’s willing to help him achieve his goal. For me, Gerda is the heart and soul of the movie and a good reason to go and see it.

My Rate: 6 (from 1 to 10)

A RAPARIGA DINAMARQUESA (The Danish Girl) de Tom Hooper

A História: Dinamarca, anos 20. Gerda (Alicia Vikander) e Einar (Eddie Redmaune) são um jovem e feliz casal de artistas. Um dia, enquanto serve de modelo à sua esposa, Einar reencontra o seu lado feminino e tudo vai mudar. Com o apoio de Gerda, ele vai tentar transformar-se na mulher que ele sente que é.

O Melhor: A cena em que Einar se despe em frente de um espelho e esconde o seu sexo de forma a ser uma mulher. O bonito e poético final.

O Pior: O realizador Tom Hooper devia ter dado mais conflito à história. É tudo muito bonitinho e levezinho. A verdade é que, visualmente, o filme é bonito de ser ver, mas também um pouco demasiado longo.

Os Actores: É verdade, não sou grande fã de Eddie Redmayne: os seus maneirismos são um bocado irritantes. Mas o seu usual ar andrógeno é perfeito para o personagem de Einar/Lili e ele dá-nos o seu melhor trabalho de sempre. Mas para mim, Alicia Vikander dá-nos  a melhor interpretação do filme: ela é comovente, divertida, apaixonada e real.

O Filme: Eu sei que o assunto principal é o caso do primeiro transsexual da História, mas para mim o principal assunto é o amor que a sua esposa sente por ele. A personagem de Gerda é muito mais rica e interessante; nós sentimos a sua dor e a sua confusão. Ela ama-o tanto que, mesmo sabendo que o vai perder no processo, está disposta a ajudá-lo a realizar o seu objectivo. Para mim, Gerda é a alma e o coração do filme e uma boa razão para irem ao cinema.

Classificação: 6 (de 1 a 10)




domingo, 18 de janeiro de 2015

DO COMEÇO AO FIM (From Beginning to End) de Aluizio Abranches

Francisco e Thomás são dois meios-irmãos que, desde pequenos, têm uma relação muito forte. Quando crescem, esta relação transforma-se em algo mais íntimo, romântico e sexual.

Produzido em 2009, este filme brasileiro consegue “matar dois coelhos de uma só cajadada” e fá-lo com elegância. Não só retrata uma forte relação de amor entre dois homens, como ainda por cima estes são meio-irmãos. Curiosamente, mesmo com algumas cenas de sexo (nada de extremamente forte), o filme não choca. O realizador Aluizio Abranches filma tudo de modo sensível, quase poético e a sua câmara adora os dois actores que dão vida a Francisco e a Thomás.

Confesso que esperava que, algures pelo meio, o filme se iria transformar num grande drama, com os rapazes a enfrentarem grandes dificuldades em manter a sua relação. Mas não, parece que todos aqueles que os rodeiam aceitam a situação sem grandes problemas, incluindo o pai, o que torna a situação um bocado surreal. Seria excelente que assim fosse, mas duvido que no mundo real as coisas corressem tão bem.

Uma das mais valias do filme é a intimidade realista que Aluizio Abranches consegue criar entre os dois irmãos, tanto em criança como em adultos. Claro que nada disso seria possível sem dois actores convincentes nos papéis e a escolha de João Gabriel Vasconcellos e Rafael Cardoso foi acertada. Ambos são agradáveis à vista e, apesar de serem muito doces, nem por um momento duvidamos da sua paixão. Há no entanto uma cena, quando se despem frente a frente na sala, em que um pequeno pormenor quase estraga o momento; ambos estão completamente nús e, apesar de ser um momento tenso, nenhum deles está com erecção. Felizmente, a cena de amor que se segue é suficientemente convincente para nos fazer esquecer esse pormenor.

Eu sei que é tudo um pouco cor-de-rosa, mas é uma bonita história de amor, contada com sensibilidade e bom gosto. Classificação: 6 (de 1 a 10)







sábado, 27 de dezembro de 2014

O CLUBE DE DALLAS (Dallas Buyers Club) de Jean-Marc Vallée

Ron Woodroof é um cowboy promíscuo, com gosto por álcool e drogas. Um dia, por acidente, descobre que sofre de SIDA e ao ser-lhe recusado o acesso aos medicamentos que necessita, decide ir à procura deles no estrangeiro. Começa então a introduzir ilegalmente esses medicamentos nos Estado Unidos e cria o Clube de Dallas onde, mediante o pagamento de uma quota, os membros têm acesso à medicação.

Baseado numa história verídica, este filme é um retrato realista de uma época em que ninguém sabia muito bem como lidar com os pacientes de SIDA. O realizador Jean-Marc Vellée preferiu uma abordagem mais factual do que emocional, evitando lamechices e falsos moralismos. Esta abordagem leva a um certo afastamento entre o público e as personagens; pelo menos foi isso que eu senti.

No papel principal, Matthew McConaughey está no seu melhor. Tal como todos os seus personagens anteriores, este Ron Woodroof é auto-confiante e arrogante, mas é também muito humano nos seus vícios e receios. Se é verdade que fisicamente McConaughey se entregou de corpo inteiro a este personagem, a verdade é que também entregou a sua alma. Dificilmente o Óscar de Melhor Actor não irá parar às suas mãos. Também Jared Leto, como uma deliciosa drag-queen decadente e engraçada, tem uma forte chance de ganhar o Óscar de Melhor Actor Secundário.

Não tem a força emocional de PHILADELPHIA, nem é esse tipo de filme, mas é mais real e crú. Classificação: 6 (de 1 a 10)