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domingo, 5 de abril de 2020

O HOMEM DA CAMISA LARANJA (Man in an Orange Suit) de Michael Samuels

A História: Perto do final da Segunda Guerra mundial, Michael e Thomas apaixonam-se, mas Michael está noivo de Flora e, apesar de infeliz, acaba por se casar com ela. Décadas mais tarde, Adam, neto de Michael, vive com a sua avó Flora e está viciado em aplicações de sexo com estranhos, até que um dia conhece Steve.

O Filme: Duas românticas histórias de amor entre dois homens, duas épocas diferentes. Na primeira, o perigo de serem presos caso sejam apanhados no acto sexual e todo o peso de uma sociedade que condena a homossexualidade. Na segunda, os perigos viciantes das aplicações de encontros e a facilidade do sexo descartável.

Em ambas histórias, temos dois personagens apaixonados que não sabem muito bem o que fazer com os seus sentimentos, sentindo-se amargurados e infelizes com as suas vidas. Os momentos de amor entre Michael e Thomas são particularmente bonitos e sensuais; é fácil perceber que foram feitos um para o outro. Mas o peso da sociedade e uma esposa com o orgulho ferido, não lhes facilita nada a vida. Quanto a Adam, o sexo para ele é uma simples troca de fluídos, sem emoção, mas é palpável a atração entre ele e Steve. Mais uma vez, Flora, não contente em ter dado cabo da vida de Michael e Thomas, parece incapaz de aceitar as escolhas do neto. 

Michael Samuels, que realizou este filme/mini-série para a televisão britânica,  não se coíbe de mostrar o lado sexual dos seus personagens, sem vergonha e sempre com bom gosto. A sua realização é sensível, evita a lamechice, e facilmente cativa a nossa atenção e os nossos corações. A sua direcção de actores também é excelente.

Um quarteto de homens bonitos, sensuais e talentosos dão vida aos quatro personagens e fazem-no de forma convincente, sem receio das cenas íntimas. Os sentimentos que partilham são reais, dando às suas histórias um forte lado emocional capaz de nos tocar e comover. São eles Oliver Jackson-Cohen como Michael, James McArdle como Thomas, Julian Morris como Adam e David Gyasi como Steve. Do lado feminino, tanto a veterana Vanessa Redgrave como Joanna Vanderham são excelentes como a quase odiável Flora.

Recomento a fãs de dramas no geral e principalmente à comunidade LGBT; é raro termos filmes que nos mostrem o nosso lado de forma positiva!

Classificação: 8 (de 1 a 10)








quarta-feira, 7 de junho de 2017

CORAÇÕES DE PEDRA (Hjartasteinn aka Heartstone) de Guðmundur Arnar Guðmundsson

A História: Numa localidade remota, algures na Islândia, Thor e Christian são dois jovens adolescentes inseparáveis, o que leva a rumores de uma possível homossexualidade. Durante o Verão, Thor fica enamorado de uma jovem e Christian descobre que tem sentimentos, para além da amizade, pelo seu amigo.

Os Actores: Nos papéis dos dois adolescentes, Baldur Einarsson e Blær Hinriksson são muito naturais e os sentimentos/amizade que nutrem um pelo outro parecem reais. Ambos são muito expressivos e os olhares cúmplices que trocam entre sim são verdadeiros. Eles estão bem acompanhados por um grupo de quatro jovens talentosas actrizes Diljá Valsdóttir, Katla Njálsdóttir, Rán Ragnarsdóttir e Jónína Þórdís Karlsdóttir, verdadeiramente irritante como a irmã rebelde de Thor.

O Filme: Para a sua estreia nas longas-metragens, o realizador/argumentista Guðmundur Arnar Guðmundsson dá-nos um drama de adolescentes sobre a amizade e a descoberta do sexo, no meio de uma localidade onde os habitantes parecem ser tão inóspitos e frios como a fabulosa paisagem que os rodeia. O filme pertence por direito aos adolescentes, que parecem crescer e viver sem a supervisão dos adultos; o realizador capta muito bem a vida desinteressante destes jovens, bem como a sua crueldade gratuita de uns para os outros. Curiosamente, ou não, as raparigas são sexualmente mais resolvidas que os rapazes e parecem ter personalidades mais fortes. Mas o coração do realizador está com os seus dois jovens e consegue fazer-nos sentir a sua inocência, rebeldia e angústia, num crescendo calmo que termina em drama. O ritmo é lento, o que raramente me agrada, mas aqui parece fazer sentido com a paisagem e com a vida aborrecida dos personagens. Quanto à homossexualidade, esta é mostrada de forma delicada, traduzindo-se em olhares de desejo e pequenos toques que vão revelando a luta interna dos personagens. Não é um filme para todos os gostos, mas é daqueles que quanto mais pensamos nele, mais interessante se vai tornando.

Classificação: 6 (de 1 a 10)




A CRIADA (Ah-ga-ssi / The Handmaiden) de Chanwook Park

A História: Sook-Hee é contratada para ser a criada particular de Lady Hideko, uma rica herdeira que vive com um tio que pretende casar com ela. Mas a verdade é que Sook-Hee faz parte do plano de um 'falso conde’, Fujiwara, que quer casar com Hideko, interná-la num hospício e partilhar a sua herança com Sook-Hee.

Os Actores: Nos papéis de Sook-Hee e Lady Hideko, Tae-ri Kim e Min-hee Kim partilham uma química, cumplicidade e sensualidade que transborda do ecrã e nos seduz de forma simples e eficaz. São ambas muito bonitas e expressivas, criando uma forte ligação não só entre elas mas também connosco (pelo menos comigo). Jung-wo Ha, como o sedutor Conde, e Jin-woonh Jo, como o perverso tio, vão bem nos seus papéis, mas são ofuscados pelas actrizes.

O Filme: Há muito que não via um filme tão sensual, tão erótico e tão sedutor. Visualmente bonito e com uma realização muito cuidada, este novo filme do realizador sul-coreano Chan-wook Park atraiu a minha atenção desde a primeira imagem, quase como se fosse um íman. Com um argumento bem construído e, acho que posso dizer, retorcido, este thriller dramático é um objecto fascinante, com uma grande carga erótica e com um forte lado perverso. As cenas em que Hideko lê passagens eróticas perante um grupo privado de homens, são estranhamente excitantes e plasticamente belas. Gostei muito da forma como o humor está presente de forma subtil, mesmo nos momentos mais dramáticos, nunca lhes tirando força mas tornando-os mais humanos. Por fim, as sequências de amor entre as duas mulheres incendeiam o ecrã de uma forma como há muito não via. O ritmo um pouco lento e o facto de durar quase duas horas e meia pode afastar muitos espectadores, mas aconselho a não perderem este filme. É, desde já, uma das grandes surpresas do ano! E, com 59 prémios internacionais, não me parece que esteja a exagerar.

Classificação: 8 (de 1 a 10)






















quinta-feira, 21 de abril de 2016

HOLDING THE MAN by Neil Armfield

The Plot: Tim (Ryan Corr) and John (Craig Stott) fell in love at high school. Even in face of all adversities and temptations their romance lasts 15 years and only ends when they face an unbeaten enemy.

The cast: Ryan Corr and Craig Stott play the loving gay couple with emotion, humor and chemistry. Corr, besides being a true eye candy, is a passionate actor and I believe he has what it takes to become a big movie star. Stott easily creates empathy with us and gives us a simple truthful performance. In the roles of their parents, Guy Pearce and, specially, Anthony LaPaglia give them strong support.  

The Movie: This gay drama, based on Timothy Conigrave’s autobiographical novel (he was an Australian writer, actor and activist) that was first adapted with success to the stage, is a honest look to a relationship with all its high and lows. It’s also a reminded of a time when AIDS was unmerciful and how it took the gay community and general society by storm. Above all, director Neil Armfield give us a beautiful love story that doesn’t shy away from sex and from showing us the effects of unsafe sex, something that even today makes victims. I don’t know how a straight audience will react to this movie, but it is has a strong story and the sex scenes aren’t gratuitous, so I think they will like it. Anyway, this is a must for gay audiences!

My Rate: 7 (from 1 to 10)