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domingo, 8 de novembro de 2020

LA DEA FORTUNA de Ferzan Ozpetek

A História: Arturo e Alessandro são um casal gay que está junto faz já quinze anos e cuja relação está a passar por um período complicado. Annamaria é a melhor amiga de Alessandro e é também uma mãe solteira a lidar com um problema grave de saúde, o que a leva a pedir a eles que tomem contem dos seus filhos por uns dias.

 

O Filme: Há dez anos atrás estreou por cá uma engraçada comédia gay italiana com o título UMA FAMÍLIA MODERNA (Mine Vaganti). Agora, no âmbito da Festa do Cinema Italiano, tive a oportunidade de ver o último filme do mesmo realizador, Ferzan Ozpetek.


O registo escolhido é a comédia dramática, com um ligeiro toque de terror (mais não conto), que nos faz rir com o seu bom sentido de humor, que por vezes nos comove com os seus personagens e que nos conta uma história interessante, que consegue evitar a lamechice a que se prestava. É talvez um pouco ligeira na forma como toca alguns assuntos sérios, como o adultério e doenças graves, mas são tratados com sensibilidade e humor.


No elenco, dois gajos bons, Stefano Accorsi e Edoardo Leo, dão vida ao casal gay e fazem-no muito bem; a química entre os dois é verdadeira, bem como a empatia entre eles e as duas crianças, Sara Ciocca (com uns olhos fabulosos) e Edoardo Brandi (um puto doce). Como Annamaria, a bonita Jasmine Trinca dá um brilho especial à sua personagem. Este excelente quinteto de actores, está bem rodeado por um notável grupo de secundários.


Pode não ser um grande filme, mas gostei muito e soube-me bem “viver” a vida dos personagens por cerca de duas horas bem passadas.

 

Classificação: 7 (de 1 a 10)






sexta-feira, 29 de junho de 2018

COM AMOR, SIMON (Love, Simon) de Greg Berlanti


A História: Simon é um teenager com uma vida excelente, mas que tem um segredo que o corrói, ele é gay. Quando um dia alguém do seu liceu publica um post em que diz ser gay, ele decide responder e apaixona-se por esse alguém. O problema é que o seu segredo pode ser exposto a qualquer momento.

O Filme: Pelo resumo do argumento, poderão pensar que estamos perante um grande dramalhão, mas não é verdade. O realizador Greg Berlanti (THE BROKEN HEARTS CLUB: A ROMANTIC COMEDY) dá-nos uma comédia engraçada, repleta de bom humor, com algumas cenas muito divertidas, mas também com muita emoção. Okay, eu confesso, chorei numa das cenas!
Presentemente, o cinema LGBT parece estar a ter uma maior divulgação e, para variar, está a começar a dar uma imagem mais positiva sobre o tema. Este ano já pudemos ver o excelente CALL ME BY YOUR NAME, e agora com este LOVE, SIMON, continuamos no caminho de filmes temáticos produzidos a pensar no grande público; portanto nada de chocante por aqui, pode ser tudo muito casto, mas o importante está aqui. A aceitação de sermos quem somos e a conquista do respeito dos outros.
No papel principal, Nick Robinson, é simpático e um bocado assexuado, mas estamos a falar de um personagem que ainda não fez sexo, por isso acho que ele até vai muito bem. Como os seus pais, Jennifer Gerner e Josh Duhamel são comoventes e Katherine Langford é óptima como a amiga apaixonada e compreensiva. No entanto é Logan Miller, como o parvalhão do Martin, o colega de Simon que faz chantagem com ele, quem mais sobressai.
As mentes mais conservadoras não têm nada a temer e esta comédia juvenil é um verdadeiro “feel-good movie”; duvido que no final não estejam todos a torcer pela felicidade de Simon.

Classificação: 7 (de 1 a 10)











quinta-feira, 10 de março de 2016

LAND OF STORMS (VIHARSAROK) by Ádám Császi

The Plot: Szabolcs (András Sütö) and Bernard (Sebastian Urzendowsky) are two friends that play in the same football team; when they loose a game, Szabolds decides to return to his hometown. Once there, he meets Áron (Ádám Varga) and the two become lovers. One day, Bernard appears at his doorstep.

The cast: Although none of them is extraordinary, the three young and cute actors are convincing in their roles. András Sütö as the lonely guy who is afraid of his sexuality, Ádám Varga as the complicated country boy who discovers he is gay and Sebastian Urzendowsky as the guy who knows exactly what he likes and isn’t afraid of showing it.

The Movie: This Hungarian movie is a melancholic gay drama, where things happen in slow motion and where the characters are always longing for something they are kind of afraid of getting. A little more than 100 minutes it’s too much to tell this interesting story; director Ádám Császi could have delivered a much better movie had he make it shorter. What the film has is a strong sense of sensuality and I just wish there was more of it; the very soft sex scenes are simple but kind of hot. As for the final, it took me by surprise.

My Rate: 5 (from 1 to 10)






quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

LOVE IS STRANGE by Ira Sachs

(“scroll down” para ler a crítica em português)

The Plot: Ben (John Lithgow) and George (Alfred Molina) are a gay couple who decide to marry after being together for almost 40 years. After the marriage, George is fired from his teaching job and, while they sell their apartment and look for a cheaper one, they are forced to live separately in friend’s houses.

The cast: As the gay couple, John Lithgow & Alfred Molina share a fondness and a complicity that goes behind the screen and makes them very human. It’s difficult for us not to get emotionally involved in their life and the difficulties they are facing. They are backed up by a good supporting cast, where a very real Marisa Tomei also shines as Ben’s nice.

The Movie: Although our society is supposedly more open to homosexuality, the truth is that there aren’t many genre movies and, even more rare, gay movies that deal with an older gay couple. In that respect, this drama by Ira Sachs is quite original and gives us a sad and melancholic story about a nice gay couple, whose best years were left behind and who don’t know what the future has in store for them. I wish this was a better movie, but the long music scenes drag the action and, although they give the movie a kind of poetic quality, they end up stealing space to this pretty and bitter love story. Even so, this is a rare and very human portrait of a reality that is rarely shown in movies. I believe gay and straight couples will relate to it.

My Rate: 6 (from 1 to 10)

O AMOR É UMA COISA ESTRANHA (Love is Strange) de Ira Sachs

A História: Juntos há quase 40 anos, Ben (John Lithgow) e George (Alfred Molina) decidem casar. O casamento leva a que George seja despedido do seu cargo de professor e, enquanto vendem o seu apartamento e procuram um mais barato para viverem, vêem-se obrigados a viver separadamente em casa de amigos.

O Elenco: Como o casal gay, John Lithgow e Alfred Molina partilham um carinho e uma cumplicidade que ultrapassa o ecrã e os torna muito humanos. É difícil não nos deixarmos envolver emocionalmente na sua vida e nas dificuldades que estão a viver. A rodeá-los, um bom grupo de secundários dá-lhes o apoio necessário, com destaque para uma real Marisa Tomei que brilha como a sobrinha de Ben.

O Filme: Apesar de a sociedade, supostamente, aceitar melhor a homossexualidade, a verdade é que não há assim tantos filmes do género e, mais raro ainda, um filme dessa temática que se debruce sobre um casal gay de idade avançada. Nesse aspecto, este drama de Ira Sachs é original na forma como pega no tema e nos dá uma história triste e melancólica sobre um simpático casal gay, cujos melhores anos ficaram para trás e que não sabem o que lhes reserva o futuro. No entanto gostava que o filme fosse melhor, pois as longas cenas de música arrastam a acção e, apesar de lhe conferirem um ar poético, roubam espaço a esta bonita e amarga história de amor. Mesmo assim, é um retrato raro e humano de uma realidade que raramente chega aos filmes. Acredito que tanto casais gay como heterossexuais poderão identificar-se com o filme.

Classificação: 6 (de 1 a 10)